Klink em palestra na PUC sobre gerenciamento de projetos. Foto: Baguete.

Em 1989, depois de passar 642 dias no mar em uma expedição em que foi do Brasil à Antártica e depois ao Polo Norte, Amyr Klink retornou à sua casa, em uma encosta em Paraty, litoral do Rio de Janeiro.

Ao ver que a janela da casa, que estava estragada desde a sua saída, não foi consertada pelo caseiro, Amyr foi tirar satisfações com o empregado. A resposta foi emblemática: "Chefe, não deu tempo".

Tempo, erros e acertos deram a tônica da palestra do empreendedor paulistano no Seminário de Gerenciamento de Projetos da PMI-RS, realizada no Centro de Eventos da PUC nesta quinta-feira, 13.

Ao falar de suas viagens pelo mar e seus empreendimentos, Klink, 56 anos, dedicou o tempo a contar histórias para ilustrar as experiências de cada projeto, desde o primeiro, quando se propôs a ir do Brasil à África num barco a remo, em 1984.

“Não foi uma idéia muito inteligente", debochou o explorador.

Formado em economia, mas apaixonado pela navegação, Klink projetou um barco pensando em todos os detalhes possíveis, o que foi importante, segundo ele.

"Com a ajuda de engenheiros, percebi que até capotar o barco é parte do projeto. Projetamos um barco feito para ficar à deriva e capotar nas águas turbulentas, mas que depois se recuperasse", explicou.

ERRARE HUMANUM EST

Os erros durante a experiência, para Klynk, são fundamentais para o sucesso de qualquer pessoa que se dedica a um projeto.

Um exemplo disso foi em uma viagem que ficou 15 meses em um barco ancorado no continente antártico.

Totalmente autônomo, o barco tinha aplicações para fornecer alimentação e produzir água potável.

Para facilitar a sua situação em um cenário adverso, Klink resolveu trabalhar por 33 horas ininterruptas para produzir um estoque de 20 litros de água.

Ao final do processo, exausto, decidiu descansar. Quando acordou, a água já havia congelado.

"Tem coisas que não se resolvem de uma vez, em uma solução milagrosa e eficiente. Como em um projeto, existem trabalhos que, para dar certo, necessitam de acompanhamento, são um processo contínuo", destaca.

Com 42 expedições marítimas na bagagem, o empreendedor falou também de suas expedições mais famosas, como a em que navegou ao redor da Antártica.

Para sobreviver ao clima inconstante no oceano, Klink teve que contratar uma consultoria externa. Ou melhor, comprá-la.

Sua mulher, Marina Bandeira, adquiriu um escritório de serviço de previsão do tempo, se dedicando a enviar boletins para o marido de três em três horas, algo fundamental para o sucesso da empreitada.

"Às vezes, com toda a experiência que temos, acreditamos que temos todas as soluções. Mas uma visão externa traz uma lucidez, uma clareza que não se tem em meio a todo o estresse da execução do projeto", ressalta.

DESENVOLVIMENTO INTERNO

Hoje, Klink fez da sua paixão por navegar um modo de vida, fundando as empresas Amyr Klink Planejamento e Pesquisa Ltda. e Amyr Klink Projetos Especiais, que fabricam barcos especiais em Itapevi (SP).

No estaleiro, são produzidas as embarcações para as viagens de Klink e outros clientes.

Além disso, o empresário desenvolve soluções experimentais ligadas ao conceito de cidades flutuantes, com estruturas como marinas, estacionamentos e armazéns sobre a água.

"Mais da metade de minhas expedições foram feitas em barcos projetados e fabricados por mim e minha equipe. A metodologia cuidadosa e o sucesso de minhas viagens atraíram outras pessoas interessadas em viajar de forma segura e adquirir produtos com a mesma qualidade", explicou.

O fato de cada projeto ser personalizado é um diferencial para Klink.

Para ele, cada detalhe é importante e varia com as necessidades de cada cliente, por mais que o produto oferecido seja o mesmo.

"O componente humano é essencial. Não adianta ter o máximo de tecnologia e recursos, se ela não for adequada precisamente a cada cliente. Para isso é preciso estar próximo", frisou.