Michael Small. Foto: divulgação.

A Gogo, companhia norte-americana de soluções de conectividade a bordo de aviões (inflight), espera que o acordo firmado com a Gol neste ano seja uma importante porta de entrada para as companhias aéreas sul-americanas.

O projeto, que tem a sua primeira aeronave conectada prevista para o primeiro semestre de 2016, envolve a adoção de serviços de acesso Wi-Fi, assim como a plataforma onboard de entretenimento com conteúdos de TV, vídeo e música sob demanda (VOD).

Com cerca de 200 mil acessos mensais nas onze companhias aéreas em que atua, principalmente na América do Norte, a Gogo aposta em uma nova tecnologia para expandir seu alcance.

Nos Estados Unidos, boa parte da rede da empresa usa tecnologias air-to-ground (ATG), em que direciona sinais de mais de 2,4 mil antenas no chão para as aeronaves. Para os próximos anos, a empresa quer emplacar o formato de banda 2ku, que usa satélites para prover conectividade aos aviões.

"É uma tecnologia que possui maior alcance, com cobertura plena em cerca de 80% do globo e melhor velocidade, além de não exigir estrutura em terra. Ela também tem uma performance otimizada em regiões perto da Linha do Equador, o que chamou a atenção da Gol", declarou Michael Small, CEO da Gogo.

De acordo com a empresa, o sinal 2ku pode atingir picos de até 80mpbs por aeronave, velocidade suficiente para prover acesso de vídeo full HD para cerca de 25 passageiros - o máximo de uma conexão ATG chega a 7,5mbps.

Conforme explica Small, nos últimos 15 meses, o padrão 2ku trouxe oito novas companhias aéreas para a lista de clientes da Gogo. Além da Gol, outras empresas de fora dos Estados Unidos como Aeroméxico, Japan Airlines e Vietnam Airlines também adquiriram o produto.

Os novos contratos resultaram em um crescimento da receita e lucro da empresa em 2014. No período, a Gogo contabilizou US$ 409 milhões em receita e um lucro de US$ 89 milhões, crescimento de 80% sobre o ano anterior. Segundo Small, é um grande avanço, levando em consideração o mercado de nicho em que a Gogo opera.

Apesar das intenções de crescimento, o CEO não deu maiores detalhes sobre a estratégia de expansão na América Latina, nem dos contatos realizados com outras linhas companhias aéreas, seja no Brasil ou em países vizinhos.

"Como o padrão 2ku funciona muito bem na América do Sul e Central, queremos que mais empresas da região usem nossas soluções e mantemos conversas constantes com o mercado local", desconversou o executivo.

No caso da Gol, e expectativa é que as mais de 140 aeronaves da companhia aérea estejam equipadas com antenas 2ku e o serviço de conectividade em até três anos, segundo informou da assessoria da empresa à reportagem do Baguete.

Com a solução da Gogo, a Gol pretende rivalizar com a Azul, única companhia local a ter soluções de entretenimento inflight, em um projeto de TV via satélite com a SKY Brasil, que usa a banda Ku para transmissão.

Outro detalhe não dado, tanto pelo CEO da Gogo como pela Gol, foi a da precificação da novidade. Nos Estados Unidos, o preço varia de acordo com o trecho, podendo custar de US$ 15 em trechos de oito a dez horas a US$ 50 por hora em viagens domésticas mais movimentadas.

"É algo que estamos negociando com a Gol para conhecer o mercado e saber qual caminho seguir. Nossa intenção é atender desde o heavy user que tem interesse em ser assinante do nosso serviço, assim como o usuário casual", afirmou Small.

Segundo a Gol, todas as possibilidades de serviços oferecidas (por pacote/acesso) estão sendo avaliada​s​ com as atuais p​r​​á​ticas existentes no mercado. De acordo com a companhia aérea, a plataforma contará com conteúdos gratuitos e pagos.​

*Leandro Souza viajou a Chicago a convite da Gogo.