Elon Musk. Foto: flickr.com/photos/45698397@N00.

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Para Elon Musk, inovar é tentar. Para o empresário, que fez sua fortuna ao ser um dos fundadores do PayPal, mais do que um showcase para a tecnologia pela tecnologia, inovação é fazer coisas diferentes e contribuir para a vida das pessoas.

Ao participar do Dell World, Musk fez questão de se diferenciar. O sul-africano adentrou o auditório do Austin Convention Center a bordo de um dos carros elétricos de sua companhia, a Tesla Motors.

A fundação da companhia em 2008, em meio à crise do mercado norte-americano, exigiu decisões ousadas de Musk como CEO, ao fazer uma aposta no mercado de carros elétricos quando nenhuma montadora estava disposta a fazer isso.

A ousadia de Musk deu certo. Atualmente a Tesla Motors, mesmo sendo uma montadora independente, com uma produção de 600 veículos/semana, já acumula um valor de US$ 18 bilhões no mercado. No entanto, na época nem ele acreditava.

"Investi dinheiro do meu próprio bolso, da fortuna que fiz ao vender minha parte do PayPal. Com isso, encorajei outros investidores a colocarem os investimentos restantes", explicou o empresário.

Quando todos do auditório esperavam algum discurso esperançoso, sobre a crença em seus projetos e objetivos e como isso acabou recompensando no final, Musk sacou um golpe inesperado.

"Levantamos o dinheiro para tocar a empresa adiante, mas eu não esperava que fosse dar certo. Pensava que seria um fracasso. Mas tentei mesmo assim", falou o CEO da Tesla, arrancando risadas de espanto da platéia.

Por enquanto, a Tesla ainda opera no vermelho - em 2012 a montadora teve um prejuízo de US$ 394 milhões. Por outro lado, o aumento da procura por veículos elétricos, assim como a difusão da tecnologia, está alavancando a receita ano a ano - em 2012 foi de US$ 414 milhões.

Econômico nas palavras, mas um sujeito inquieto à sua própria maneira, Musk não esconde que prefere mais fazer coisas do que falar sobre as coisas que faz.

Seus empreendimentos são um exemplo disso. Além da Tesla, o executivo tem desde 2002 a SpaceX, que desenvolve e fabrica plataformas e veículos de lançamento para foguetes e satélites espaciais, focando em métodos sustentáveis e baixo consumo energético.

Desde 2008, a SpaceX tem parcerias com a NASA, levando contratos de US$ 1,6 bilhão até US$ 3 bilhões. Em 2012, o SpaceX Dragon foi o primeiro veículo espacial feito por uma empresa comercial a ser lançado e acoplado à Estação Espacial Internacional.

No entanto, um dos passos mais ousados de Musk ainda está no papel. Em agosto deste ano, ele divulgou o projeto para o Hyperloop, um novo sistema de transporte que ligaria passageiros de Los Angeles a São Francisco em menos de 30 minutos, tempo inferior a uma viagem de avião.

Formado em física, Musk desenvolveu em teoria uma máquina de viagem aérea subsônica - usando o vácuo como um método barato e sustentável de propulsão - através de tubulações, em cápsulas capazes de viajar a até 560 quilômetros por hora.

Se no papel, Musk garante que seu projeto é viavel, até agora ninguém se apresentou para bancar a ideia, estimada por Musk em cerca de US$ 6 bilhões.

Em meio a tantas ideias, Musk admite que esse é o seu segredo de estar sempre à frente. Segundo ele, com cada nova ideia, projetos já em andamento também se beneficiam.

"Já ocorreram muitas vezes em que tecnologias que desenvolvemos na SpaceX foram adaptadas para os carros que fabricamos na Tesla. O contrário também ocorre. É fundamental ter esse olhar em diferentes campos", destaca.

Leandro Souza cobre o Dell World 2013 em Austin à convite da Dell.