Sebastian Cabello. Foto: divulgação.

O serviço de 4G já está no Brasil desde 2012, quando a Claro foi a primeira operadora nacional a oferecer o novo modelo de conexão móvel. Entretanto, em cerca de dois anos e meio o avanço da tecnologia no mercado foi tímido. Para a GSMA, entidade global que reúne o setor de telefonia móvel, o 4G na América Latina sofre com o sucesso do 3G, que vai bem no Brasil e região.

Quem afirma isso é o próprio presidente da GSMA, Sebastian Cabello, que esteve no Rio de Janeiro esta semana para Mobile 360 Series, evento realizado pela entidade como foco no mercado latino americano.

"Em uma análise mais simples, a diferença do 3G para o 4G é de velocidade e não de serviço. No atual momento, as pessoas estão mais satisfeitas com o serviço de 3G", analisou o executivo.

Conforme um estudo divulgado pela própria GSMA, atualmente apenas 2,4% das conexões móveis na América Latina são feitas através de 4G, bastante abaixo da média internacional, que fica em 8,4%.

Segundo dados do Teleco divulgados em dezembro de 2014, o mercado 4G soma pouco mais de 7,7 milhões de acessos no Brasil, um crescimento de 394,9% em relação a janeiro de 2014, quando havia 1,6 milhão de linhas ativas de 4G. Entretanto, em comparação com o 3G, a diferença fica feia: o país tem mais de 150 milhões de acessos 3G.

Em regiões do mundo em que o 4G está mais desenvolvido, a adoção é mais acentuada. Nos Estados Unidos já são cerca de 160 milhões de assinantes, e na Ásia aproximadamente 230 milhões de usuários - a Coréia do Sul, por exemplo, tem 100% de adoção da modalidade.

Enquanto isso, no Brasil, principal mercado das telecoms na América Latina, o 3G compreende cerca de 51%, já passando a base 2G como o serviço mais usado nos países da região.Até 2020, a perspectiva da GSMA para o 4G também não se mostra das mais animadoras. 

"Daqui a cinco anos as redes 4G representarão 28% das conexões móveis nos países latinos", afirmou o presidente da GSMA.

Mesmo assim, a entidade prevê um alto investimentos das operadoras para escalar seu serviço 4G. De acordo com a GSMA, cerca de US$ 170 bilhões - um aumento de US$ 100 bilhões sobre o que já foi investido - serão desembolsados pelas companhias de telecom em infraestrutura.

Estes gastos envolvem desde a implementação de antenas - no caso do 4G envolve um contingente ainda maior de estruturas, devido ao baixo raio de alcance do sinal 4G - até investimentos em licenças e uso de frequências, especialmente aquelas abaixo de 1GHz.

No Brasil, a frequência de 700Mhz, considerada um ponto essencial para o 4G no país (por ser mais baixa, ela tem maior penetração), teve seu leilão realizado no final do ano passado. De acordo com a Anatel, a previsão é que o uso da faixa seja liberado até o ano que vem para as Olimpíadas.

"As barreiras de infraestrutura seguem um grande empecilho para o avanço do 4G, especialmente no Brasil, com problemas de legislação municipal e uso de antenas. Esperamos que isso mude a partir deste ano", afirmou Cabello, mencionando a lei aprovada pelo Governo Federal que estabeleceu regras para o compartilhamento de antenas entre as operadoras.

Para a Amadeu Castro, diretor da GSMA no Brasil, um possível impulso para uma crescente adoção do 4G no país reside na redução dos valores para os smartphones 4G. Atualmente, os modelos mais baratos compatíveis com a tecnologia estão em faixas intermediárias de preço, na casa dos R$ 700 a R$ 800.

De acordo com o executivo, a chegada de aparelhos com valores mais em conta e a nova geração de chips 4G - mais barata, segundo destacam fabricantes como Qualcomm - que deve chegar este ano pode virar o jogo a favor da tecnologia.

"O valor dos aparelhos ainda é uma barreira, mas gradualmente uma mudança de preços pode acentuar esta curva de adoção do consumidor em direção ao 4G. No preço dos pacotes, as operadoras já reduziram bastante a diferença entre 3G e 4G", avalia Castro.

*Leandro Souza viajou ao Mobile 360 Series no Rio de Janeiro a convite da GSMA.