Ricardo Dastis, sócio e diretor de cyber defense da Scunna. Foto: divulgação.

Lembro bem do dia em que ouvi pela primeira vez a expressão information trust.

Foi em um simpósio do Gartner. O analista falava para uma plateia, composta essencialmente por CISOs (que era o meu caso na época), recomendando que as empresas olhassem para a segurança da informação (SI) como um dos pilares da confiança e da resiliência.

Isto foi há longínquos dois anos: 2018 – o ano do boom da transformação digital. Este insight mudou o jogo para mim! Desde então, nunca mais consegui pensar em SI apenas como SI.

Até mesmo expressões que caíram no gosto popular, como ‘segurança cibernética’, me geram a percepção de que não estamos olhando na direção correta. Parece que, passadas três décadas, a SI ainda é vista por muitos como um issue de TI.

Confiança é algo que, como todos sabemos, leva-se anos para se conquistar e segundos para ser destruída. Mas a “confiança digital” pode ser conquistada com uma velocidade incrível, impensável para os negócios tradicionais e para a maioria dos CEOs há apenas dois ou três anos.

E não precisamos novamente falar dos cases arrasa-quarteirão como Uber, iFood, Spotify e tantos outros...

Um relatório recentemente publicado pela Accenture lista os cinco maiores impactos no comportamento das pessoas em um mundo pós Covid-19.

A erosão da confiança está em primeiro lugar nesta lista. O estudo reforça a necessidade de um "multiplicador de confiança". De ações que, para serem eficazes, reconstruam a confiança de forma rápida em todos os canais.

E, parafraseando meu amigo Fabio Ramos, da Axur, “o coronavírus também é um risco digital”. 

A pergunta para reflexão é: de que forma você (CEO, CFO, CIO, CTO ou CISO) está encarando o tema neste momento?(a) A segurança é um custo “de TI” a ser evitado/postergado, em um cenário onde é imperativo cortar budgets de forma radical e top-down; ou (b) está vendo a segurança como sua aliada, como uma das estratégias-chaves de resiliência e de sustentação dos negócios digitais e, logo, como um acelerador na retomada da confiança?

Se a sua resposta for ‘a’, é totalmente compreensível, até por uma questão de sobrevivência. Mas tenha em mente que esta conta virá de qualquer forma, e pode ser da pior forma possível.

E a tal confiança digital, que pode ser conquistada com uma velocidade incrível, pode também ser destruída – por uma intrusão ou um vazamento de dados – na velocidade dos posts em redes sociais.

*Por Ricardo Dastis, sócio e diretor de cyber defense da Scunna.