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Sami faz cortes na equipe

14/06/2022 14:53

Seguindo uma forte tendência entre as startups, a healthtech acaba de demitir 75.

Foto: Pexels.

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A Sami, healthtech de planos de saúde para pequenos empreendedores, autônomos e empresas, demitiu cerca de 75 de seus 550 funcionários (13,6%) na manhã desta terça-feira, 14, por meio de videochamadas.

De acordo com a fonte ouvida pelo site Brazil Journal, a justificativa da startup é de que ela tem uma queima de caixa considerada elevadíssima, de R$ 7,5 milhões por mês, e está sendo pressionada pelos fundos de venture capital para atingir o breakeven.

Victor Asseituno, fundador da Sami, confirmou as demissões e disse que a empresa está tendo que “encontrar um caminho para reduzir custos e chegar na sustentabilidade do negócio.”

“Em dezembro, quando levantamos a última rodada, o que o mercado queria era alto crescimento. E crescemos seis vezes nos últimos dozes meses. Agora o cenário é outro”, explicou Asseituno à publicação.

A Sami foi fundada em 2019 e, um ano depois, criou um plano de saúde que já tem cerca de 7 mil segurados. A startup levantou R$ 111 milhões há seis meses e tem entre seus investidores fundos como Valor Capital, Monashees e Redpoint.

De uns tempos para cá, grandes cortes em empresas de tecnologia têm se tornado mais frequentes, talvez como um produto do novo cenário econômico de inflação e juros baixos.

A Vtex, maior plataforma brasileira de e-commerce, demitiu 193 pessoas em maio, mais de 10% do total de 1,7 mil, em áreas como produto, experiência do usuário, design, engenharia e growth.

Segundo levantamento do site layoffs Brasil, mais de 20 startups já fizeram demissões desde o início de 2022. Entre elas, estão unicórnios como Olist, Quinto Andar, Loft e Facily. Outras empresas do tipo, como LivUp e Zak, também realizaram desligamentos neste ano.

Nos Estados Unidos, um levantamento realizado pelo Crunchbase contabiliza mais de 17 mil demissões em empresas de base tecnológica em 2021. Os cortes atingiram funcionários de companhias como Netflix, Robinhood e Clubhouse.

A virada no ambiente de startups foi sinalizada ainda em abril, quando Masayoshi Son, presidente do SoftBank, disse que o conglomerado japonês deve reduzir os investimentos em negócios de tecnologia neste ano devido aos maus resultados das investidas.

O Sequoia Capital, fundo do Vale do Silício que já captou cerca de US$ 20 bilhões e traz no currículo aportes iniciais em companhias como Apple, Google e Airbnb, fez um alerta às startups de seu portfólio em uma apresentação com 52 slides.

Nela, destacou que a combinação de mercados financeiros turbulentos, inflação e um conflito geopolítico trazem um momento crucial de incertezas e mudanças.

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