BRASÍLIA

Serpro troca de presidente

14/08/2020 14:40

Caio Andrade vai para secretaria, diretor jurídico assume presidência.

Gileno Barreto, novo presidente do Serpro.

Tamanho da fonte: -A+A

O Serpro trocou de presidente, em meio a um remanejamento de nomes dentro do Ministério da Economia.

O atual diretor presidente da estatal federal de tecnologia, Caio Andrade, ocupará a Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, substituindo Paulo Uebel, que deixou o governo.

A presidência do Serpro passa a ser de Gileno Barreto, atual diretor Jurídico e de Governança e Gestão da empresa, onde esteve envolvido com a Lei Geral de Proteção de Dados. 

Barreto é advogado, com passagem por grandes bancas focadas em direito empresarial e 20 anos na PwC, entre 1991 e 2010. 

(A direção atual do Serpro, aliás, tentou contratar a própria PwC para fazer uma auditoria na empresa. O contrato de R$ 12 milhões foi barrado pelo Tribunal de Contas).

No Serpro, a mudança no comando não deve significar grandes mudanças na estratégia geral da estatal, que vem sendo se preparar para uma eventual privatização. 

Se a privatização no final vai ocorrer ou não, com a perda de influência da ala liberal dentro do governo, é agora incerto.

A perda de influência, inclusive, se reflete em diversas saídas do governo, classificadas pelo próprio Paulo Guedes como uma “debandada”.

A última leva incluiu o secretário de Desestatização e Privatização, José Salim Mattar, e o de Desburocratização, Paulo Uebel, agora substituído por Andrade.

A tônica da saída dos dois indica que Andrade não terá um trabalho fácil. Segundo o relato de Guedes, tanto Mattar quanto Uebel deixaram o governo descontentes com a lentidão do avanço da agenda reformista.

Uma das primeiras nomeações do novo governo, Andrade participou do boom da Internet brasileira, no final dos anos 90. 

Em 1999, ele era presidente da PSINet Brasil e diretor-geral para América Latina. Adquiriu e consolidou 15 provedores de acesso na região, sendo o principal deles o STI em São Paulo.

Na presidência do Serpro, uma posição com bastante mais autonomia para tomar decisões que as secretarias do Ministério da Economia, Andrade emplacou diversas mudanças.

A estatal se tornou uma revendedora da nuvem da AWS para órgãos do governo (outras parcerias do tipo estão previstas).

Também no final do ano passado, a empresa começou a cadastrar fornecedores para desenvolvimento de software em uma ampla gama de tecnologias, preparando o que parece ser um movimento de terceirização.

A estatal lista 34 tópicos nos quais as empresas podem se cadastrar, cada uma com diferentes tecnologias.

A lista vai desde 13 diferentes linguagens de programação até componentes de assinatura digital, passando por plataformas de gerenciamento de projetos, frontends, CMS, middleware, testes automatizados e mensageria.

A estimativa é de uma economia de até 50% do "esforço" das equipes internas do Serpro, percentual que costuma ser utilizado nos “processos de codificação”.

Veja também

FUI
Salim Mattar sai do governo

Nome forte da ala privatista abandona o barco. Uma chance para a Ceitec?

CORTE
Serpro vai fechar regionais

Serão encerradas operações em 16 escritórios. Dataprev já anunciou medida parecida.

BRASÍLIA
Ministério da Economia vai contratar 350

Processo seletivo será simplificado. Vagas são temporárias. Assespro desaprova medida.

VIRADA
Ministério da Economia prepara compra de nuvem

É a segunda grande licitação de nuvem a partir do governo federal. AWS ganhou a primeira.

PARCERIA
Serpro vai vender nuvem da AWS

Estatal já está em conversas com 100 potenciais clientes na administração pública.

VIRADA
Paraná derrete apoio ao software livre

Leis dos governos de Requião que priorizavam open source foram revogadas pela Assembléia Legislativa.

ESTATAIS
Troca de presidente da Dataprev

Assume Gustavo Canuto. Christiane Edington durou um ano no cargo.

GOVERNO
Privatizados, Serpro e Dataprev manteriam contratos

Parecer do Tribunal de Contas da União deixa incerteza no médio prazo.

FAÇANHAS
Mercado Livre: vai-se o investimento, fica a roupa suja

Prefeitura de Gravataí entra na justiça contra o governo do RS no caso do centro de distribuição.