Balões podem atingir áreas dentro de um raio de cerca de 100km. Foto: flickr.com/photos/ayfugita.

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Na manhã dessa quinta-feira, 14, um teste foi feito em Cachoeira Paulista, a 220 km da capital São Paulo, com um balão troposférico que oferece banda larga a localidades sem infraestrutura para instalação de redes. 

O projeto Conectar conta com a tecnologia da empresa brasileira Altave e foi apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpepara a Telebras, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e o Ministério das Comunicações

O grande propósito é inserir o Conectar no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) para levar conexão a municípios distantes dos centros urbanos. 

Com transceptores, o balão foi içado a 240 metros de altura e fez enlaces por meio de rádio com um ponto fixo em Cachoeira Paulista e com um veículo do Inpe. 

A comunicação em banda larga via rádio frequência tem um alcance maior na cobertura se comparada às torres convencionais. Enquanto uma torre usada em telecomunicações chega a 70 metros de altura, os balões poderão ser içados a uma altura de até 300 metros e assim cobrir áreas dentro de um raio de quase 100 quilômetros. Dessa forma, o projeto pode ter um custo competitivo, além de maior benefício.

O balão pode ter de 2 a 5 metros, suporta uma carga de até 30kg e é cheio de gás hélio ou hidrogênio, que tem duração de uma semana. Porém, estão sendo estudadas formas de expandir esse tempo. 

O teste foi acompanhado pelos ministros de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, e de Comunicações, Paulo Bernardo. 

A tecnologia conta com instrumentos de monitoramento de voo, rádios, antenas e sistema de comunicação e alimentação elétrica por meio de fiação elétrica e fibra óptica.

Uma startup formada há dois anos por dois engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Altave conta com uma equipe de pesquisadores, entre mestres e doutores, com experiências internacionais, inclusive na Nasa. 

Alguns produtos da empresa foram utilizados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro durante o Carnaval e a Copa das Confederações.

Em sua proposta, o Conecta tem muito a ver com o Loon, projeto do Google para fornecer conexão Wi-Fi em regiões onde não a internet não chega.

Inclusive, em outubro, Bernardo recebeu representantes da Google para conhecer o projeto Loon, que tem a mesma função do Conecta. 

Pela tecnologia da gigante, que já foi testada em junho, na Nova Zelândia, os balões ficam a 20 quilômetros de altura e fornecem acesso Wi-Fi com qualidade semelhante ao sinal 3G.

Na metade do ano, o fundador da Microsoft, Bill Gates, criticou o Loon por considerar que a iniciativa não vai curar a fome e doenças em regiões de extrema pobreza. 

"Quando se está morrendo de malária, acredito que vão olhar para o céu e ver aquele balão, mas não sei como aquilo vai ajudar. Quando uma criança sofre de diarréia, não tem site que possa aliviar isso", disparou em agosto.