Militares são uma presença forte no segundo plano do governo Bolsonaro. Foto: .Fernando Frazão/Agencia Brasil

O grupo de transição de governo atuando no Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações é composto por seis militares e quatro civis, isso tirando fora o futuro ministro, o ex-astronauta Marcos Pontes, que é também ele oriundo das forças armadas.

O levantamento foi feito pelo site Tele Síntese, que traz um perfil de cada um dos envolvidos.

Pelo lado militar, compõem o time o coronel reformado Waldemar Gonçalves Ortunho, na condição de coordenador adjunto. Durante a campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro, ele foi o elo entre um grupo de militares de alta patente e a campanha do PSL.

Outros nomes chamativos pelo lado militar são Eduardo Chaves Vieira, ex-integrante do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos vinculado ao MCTI e ex-colega de Bolsonaro na academia militar; Bernardo Sylvio Milano, ex-diretor financeiro da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space e Elifas Chaves Gurgel do Amaral, coronel da reserva e ex-presidente da Anatel no primeiro governo Lula.

Os nomes do lado civil são Guilherme Musemecci Nalon, um executivo do setor de varejo, com passagem por empresas como Blockbuster, McDonald’s e Carrefour; Osmar Assis do Nascimento Filho, ex-gerente de Projetos na Controladoria Geral da União e Roberto Monteiro Spada, diretor de Relações Externas do Senai, ex-diretor da escola Suíço-Brasileira em São Paulo e vice-presidente da WorldSkills.

A influência dos militares na área de tecnologia já era prevista pelo setor.

Em uma decisão chamativa já antes da eleição, três representantes das forças armadas foram convidados para participar como autoridades da Futurecom, um dos maiores eventos de tecnologia do país, bancado pelo setor de telecomunicações.

Depois de confirmada a vitória de Bolsonaro nas urnas, o nome de Marcos Pontes esteve entre os quatro primeiros ministros anunciados.

A reportagem do Baguete fez recentemente uma consulta anônima com pessoas da área de ciência e tecnologia para sondar a recepção ao nome de Pontes.

Os entrevistados se manifestaram em um tom de otimismo cauteloso. Um dos principais pontos positivos foi a percepção de que Pontes teria uma relação pessoal com Bolsonaro.

A questão é que Pontes e o grupo de militares que terá voz predominante na divisão do futuro do MCTI provavelmente deve priorizar o incentivo a atividades em áreas chave para as forças armadas, como sistema de aviação, segurança cibernética e outras coisas do gênero.

A escolha de Pontes é chamativa. Nos últimos anos, quando o MCTI não estava ocupado com mais ou menos interesse por um político (Gilberto Kassab, Aldo Rabelo) ele foi ocupado por nomes próximos do universo da educação superior no país como Clélio Campolina Diniz, ex-reitor da Universidade Federal de Minas Gerais ou o ex-diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marco Antonio Raupp.

O escaneamento das instituições de ensino superior públicas do país, tradicionalmente um dos principais focos de atenção do MCTI e estruturas relacionadas, segue agora na formação do grupo de transição. 

O campo político bolsonarista, aliás, frequentemente hostiliza as universidades públicas como espaços controlados pela esquerda e em última análise, apoiadores dos governos petistas, o que sinaliza ainda mais dificuldades para manter o status quo do ministério no futuro governo, eleito com uma pauta muito crítica aos governos do PT.

Se o setor de educação superior parece estar perdendo terreno no novo MCTI, as empresas do setor estão mantendo espaço.

O ex-deputado federal Júlio Semeghini (PSDB) deve ser tornar secretário executivo no novo governo. Ele inclusive já tem participado de reuniões do futuro ministro inclusive envolvendo Bolsonaro.

Semeghini foi sub-secretário de Tecnologia e Serviço ao Cidadão de João Dória até o prefeito de São Paulo sair do posto para concorrer ao governo estadual.

Iniciou sua carreira pública em 1995, quando assumiu a presidência da Prodesp, estatal de processamento de dados de São Paulo, e se tornou conhecido no setor de tecnologia ao longo de quatro mandatos consecutivos em Brasília.

O nome tranquiliza o empresariado de TI, uma vez que Semeghini é um conhecido defensor da Lei de Informática.

Política de ciência e tecnologia não costuma figurar entre as preocupações mais prementes da população brasileira como um todo (para ser muito eufemístico), mas a sinalização é que a direção do governo tem apoio popular.

De acordo com uma pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta quinta-feira, 13, três em cada quatro brasileiros (75%) acreditam que Bolsonaro e sua equipe de governo estão "no caminho certo". 

Só 14% dos entrevistados disseram que Bolsonaro está no caminho errado, um número quase igual aos 11% que não souberam ou não responderam.  

Segundo a pesquisa, quanto maior a renda familiar, maior o percentual dos que creem que a equipe de transição acerta em suas ações. Dentre pessoas com renda familiar de até um salário mínimo, 70% concordam com as iniciativas tomadas enquanto que, entre famílias com renda superior a cinco salários mínimos, o percentual chega a 82%.