André Borges.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) não desistiu do seu plano de criar alguma forma de incentivo para a vinda de mais data centers para o país.

Segundo declarações ao Telesíntese do secretário de Telecomunicações do MCTIC, André Borges, o plano em elaboração no ministério deverá ter incentivos fiscais (como dedução ou isenção dos impostos federais como PIS/Cofins), apesar da grande restrição orçamentária estabelecida pelo governo Temer.

O projeto de incentivar a vinda de data centers circula por Brasília e é lembrado sazonalmente pelo MCTIC desde pelo menos 2013, ainda durante a primeira administração da presidente Dilma Rousseff.

Nas declarações recentes ao Telesíntese, Borges prometeu que a política será anunciada até abril.

O secretário de Telecomunicações do MCTIC frisou que além dos incentivos fiscais, estão previstos outros instrumentos, como a simplificação da burocracia para aprovação dos projetos e da importação de equipamentos. 

Quem quiser ser otimista sobre a concretização das desonerações para data centers pode lembrar que o governo Michel Temer parece mais inclinado a trabalhar com a iniciativa privada como provedora de TI do que as administrações petistas.

Enquanto as administrações petistas fizeram investimentos em centros de dados do Serpro, visando tornar a estatal federal de processamento de dados um provedor preferencial, nos últimos meses Brasília tem feito licitações para contratar nuvens de fornecedores privados.

Com isso, o governo teria em tese um incentivo para promover o barateamento da construção de data centers no país, visando ele mesmo ser um beneficiado como consumidor dos mesmos (supondo que Brasília funcionasse de maneira lógica, o que nem sempre é o caso).

Executivos da Locaweb, a maioria empresa brasileira de hospedagem de sites, disseram recentemente que eletricidade respondia por um terço do custo de operar um data center no Brasil. A Brasscom, entidade que reúne as maiores empresas de TI do país, estima que ICMS responde por 40% do custo da obra.