Chorume é um assunto controverso. Foto: .flickr.com/photos/cenaestrutural/

Entrou no ar no final de abril o Naofo.de, um “encurtador higiênico de chorume” que anuncia como intenção permitir a “denúncia e compartilhamento de conteúdo desprezível” e tem servido na prática para internautas comparilharem informações de grandes veículos de comunicação e colunistas conservadores.

O site, baseado no software open source wkhtmltopdf cria uma cópia – em imagem - da página original, tornando possível compartilhar o conteúdo de uma publicação em redes sociais sem beneficiar o autor com ainda mais visualizações.

Chorume, o líquido produzido pelo acúmulo de lixo, virou uma gíria na internet para conteúdo considerado deprezível, abaixo da réplica. Não é preciso dizer que no ambiente polarizado e pouco ponderado das redes sociais, a expressão acabou significando basicamente coisas com as quais um internauta em particular não está de acordo.

O número de visualizações de páginas encurtadas pelo Naofo.de chegou a 10 mil nos primeiros dias. Isso se deu após um post do criador da página viralizar no Facebook e ser repercutido por sites identificados com a esquerda como o Catraca Live e o blog do jornalista Luis Nassif. Além desses, especializados como o Youpix e mesmo veículos mais "mainstream" como o Globo.com e a Revista Galileu também reverberaram a aplicação.

Agora, segundo o criador, o número de acessos às páginas geradas pelo naofo.de fica em torno de dois mil por dia.

“Entre os conteúdos mais divulgados com o serviço, reconheci figuras como Pondé e Constantino. Esses colunistas de direita jeca”, relata Pedro, o programador paulista responsável pelo site, que preferiu não dar maiores detalhes sobre sua identidade.

Claro que o conteúdo desprezível para uma pessoa é a verdade absoluta de outra e nada impede que em breve a criação do profissional seja usada para encurtar e sonegar clicks a colunistas cujas opiniões não constituam “chorume” para Pedro.

“Usar o naofo.de só por não gostar de algum veículo não é legal”, afirma o criador do encurtador, aparentemente sem se dar conta de que é precisamente isso que a maioria dos usuários está fazendo nesse momento.

Pedro espera que as pessoas usem o site da forma como ele propõe, para falar sobre conteúdos “misóginos, racistas ou de outros temas absurdos”.

[Alguns dos links encurtados hoje incluem um e-commerce de camisetas chamado Vista Direita e matérias do Estadão, Época e UOL que somente por definição muito ampla poderiam ser enquadradas como misóginas, racistas ou absurdas].

De acordo com Pedro, está nos planos “adicionar um captcha ou outro recurso que dificulte o uso” para que os usuários só se deem ao trabalho de preencher se “realmente achar que é importante para aquele conteúdo”.

A página do encurtador já vem com um aviso pedindo que o mesmo não seja usado como um serviço “normal” do gênero, destacando que a hospedagem de imagens tem um custo.

Em comunhão com o espírito engajado da iniciativa, Pedro não pretende monetizar o projeto, bancado por outras iniciativas do profissional.