Frank Schettini.

O PMI, associação mundial de gerentes de projeto, tem usado um approach baseado em big data para melhorar seus resultados de negócio, principalmente em termos de retenção de usuários.

Á partir de análise de dados estruturados e não estrurados utilizando o framework Hadoop, rodado em uma nuvem da Azure, o vice presidente de TI do PMI, Frank Schettini, provê informações expostas em softwares da Tableau e PowerPivot para a gestão da entidade.

Algumas decisões já foram tomadas a partir do input desses dados, revelou Schettini durante palestra na BITS em Porto Alegre nesta quarta-feira, 14.

A mais importante delas foi cobrar a metade da taxa de renovação de associação no Brasil, Índia, Nigéria e China dois anos atrás, em uma medida que visa aumentar a fidelização da entidade.

A decisão foi tomada cruzadando dados do banco mundial sobre paridade de poder de compra com os índices de renovação e o tipo de certificação dos associados.

A meta é aproximar os índices de renovação dos países em desenvolvimento dos americanos, na faixa dos 70% [a título de comparação, a China fica em 20%].

Outra delas foi entrar em contato com os membros para renovar sua associação 29 dias antes do prazo de vencimento, cifra obtida pela análise dos diferentes dados de conversão trazidos pelos 280 chapters da entidade.

Finalmente, a entidade também usa relatórios interpretativos sobre o que é postado em redes sociais para definir conteúdo, tanto em termos de posicionamento sobre iniciativas polêmicas como a certificação ágil lançada recentemente ou para sugerir downloads segmentados.

De acordo com o profissional, a importância de uma abordagem analítica cresce à medida em que a organização se internacionaliza e as decisões para países destinantes não podem ser mais tomadas baseadas no feeling da alta gestão nos Estados Unidos.

Em 1997, 95% dos membros do PMI eram americanos, número que hoje está em 60%. Ao mesmo tempo, a participação da América do Sul aumentou 10 vezes, saltando para 7,2%.

Se as iniciativas parecem muito simples em relação à grandiloquencia futurística que parece rodear o termo Big Data, é porque esse é o objetivo mesmo, apontou Schettini.

“Trabalhamos com as áreas de negócio para definir quais são as perguntas que precisam ser respondidas e não estão sendo pela abordagem tradicional”, revela o VP de TI. “Começamos com uma só e vamos ampliando. Assim a organização vê que Big Data não é só um buzzword”.

Na avaliação do executivo, Big Data tem mais a ver com produzir respostas úteis para os gestores com base em dados não estruturados do que transformar volumes de informações gigantescas numa espécie de oráculo.

“É preciso estabelecer expectativas realistas, entregar resultados e não ficar fazendo pilotos que duram para sempre”, concluiu Schettini.