Laércio Cosentino e Rodrigo Kede.

Rodrigo Kede Lima, ex-vice presidente mundial de Transformação da IBM, acaba de assumir o cargo de diretor presidente da Totvs.

Com a mudança, divulgada em fato relevante nesta segunda-feira, 15, o fundador da companhia, Laércio Cosentino, assumirá o cargo de diretor executivo chefe (CEO) durante um “período de transição” de três anos.

Em 2018, Kede acumulará os cargos de diretor-presidente e CEO e Laércio Cosentino, que segue como membro do Conselho de Administração e presidente do Comitê de Estratégia e Tecnologia, se candidatará a reassumir a presidência do Conselho de Administração.

Cosentino, como CEO, focará na definição e acompanhamento da estratégia de tecnologia, produto e distribuição, ampliará sua presença junto a clientes. 

Como diretor-presidente, Kede reportará ao CEO e responderá pela condução da estratégia de crescimento, operação, gestão de pessoas e liderará as vice-presidências da companhia. 

Pode parecer surpreendente a decisão de Cosentino de se afastar gradativamente do cotidiano de uma empresa que ele começou a criar ainda em 1983, ao fundar a Microsiga com um investimento de US$ 6 mil e hoje é um gigante com capital aberto em bolsa.

Desde então, Cosentino liderou a maior consolidação já vista no segmento de TI brasileiro, fazendo dezenas de aquisições e criando a Totvs, uma empresa com um share de 51% nas empresas com até 170 usuários segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e um faturamento de R$ 1,8 bilhão no ano passado.

“Fomos a primeira empresa brasileira de tecnologia a fazer um IPO e agora seremos a primeira a fazer uma transição desse tipo. Não se pode ser bem sucedido fazendo o que todo mundo faz”, assegura Cosentino.

De acordo com Cosentino, o benchmark da Totvs no assunto sucessão são as grandes empresas de TI do mundo, que souberam fazer transições bem sucedidas de executivos na liderança em momentos chave da sua trajetória.

E qual deve ser a nova Totvs, com Rodrigo Kede no comando? Na coletiva de imprensa que anunciou a movimentação, nem Cosentino nem Kede deram muitas pistas.

O que sabe é que o novo diretor presidente da Totvs fez uma carreira estelar na IBM, empresa na qual entrou como estagiário, ainda em 1993. Em 2012, o executivo assumiu o comando das operações no Brasil, e, ainda em janeiro desse ano, foi promovido ao cargo de VP em nível global, residindo em Nova Iorque.

Kede e Cosentino já tinham contato pelo fato do ex-presidente da IBM ser um dos integrantes do conselho de administração da Totvs. 

Entre as metas do novo presidente, estará acelerar a internacionalização da Totvs. Hoje, as vendas fora do país ainda são uma fatia insignificante do negócio Totvs. Em 2014, a companhia inclusive informou a investidores que havia desistido da sua meta de ter vendas fora do país representando entre 3% e 5% da receita até o final de 2016.

Outro objetivo é conduzir a migração para a nuvem e o avanço da linha de produtos Fluig.

Cosentino, provavelmente para tranquilizar os acionistas, prefere não dar maiores pistas do que fará dentro de três anos, quando seu único cargo na Totvs será o de presidente do conselho de administração.

Questionado sobre o assunto, o empresário deu a entender que seguirá envolvido proximamente da Totvs, mas mencionou os investimentos do seu family office - “desde projetos de genoma até barrinha de cereal” - e, nas suas manifestações, mostrou um tom mais abertamente político do que o normal, o que talvez sinalize uma disposição de se envolver mais nas entidades da área.

“O Brasil é maior do que os problemas atuais, mas esqueceu de pensar no amanhã, de fazer a reforma tributária, trabalhista e política, além de reduzir o tamanho do estado”, afirmou Cosentino.

* Maurício Renner cobre o Universo Totvs em São Paulo a convite da Totvs.