FUTURO

Cosentino: Brasil precisa de um plano

15/06/2022 10:42

Fundador da Totvs fala sobre sua decisão de apoiar Simone Tebet.

Laércio Cosentino. Foto: Divulgação.

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Tem sido dias atípicos para o presidente do conselho de administração da Totvs, Laércio Cosentino. 

Na semana passada, Cosentino esteve entre os primeiros signatários de um manifesto em favor da candidatura à presidência da senadora Simone Tebet (MDB).

Foi uma decisão atípica para um empresário do setor de TI brasileiro, que normalmente se esquiva de pronunciamentos políticos mais abertos, focando apenas na sua agenda setorial, se muito.

Cosentino e o CEO da CI&T, Cesar Gon, foram os únicos nomes de TI que a reportagem do Baguete achou na lista inicial de 280 signatários. Também é verdade que ambos estavam acompanhados de uma lista de pesos pesados da economia brasileira como  Walter Schalka (Suzano); Anton Passos (Natura) e Horacio Lafer Piva (Klabin).

Agora, a decisão atípica de assinar o documento foi somada à de falar extensamente sobre as motivações por trás do ato para o Neofeed, um dos sites de economia mais lidos no país.

“Acredito que, com as eleições, está na hora de pensar não em um nome, mas sim em uma plataforma de crescimento, em um projeto de país, em um plano de governo. E não em um plano de poder”, disse Cosentino ao Neofeed.

O empresário acredita que o país deveria “parar para pensar”. 

“Se nem começamos a jogar o jogo, como é que você diz quais são os dois times que já estão na final? Temos que abrir a cabeça e o manifesto vai mais nesse sentido: de discutir antes de se posicionar”, fala Cosentino. “Para poder ter uma escolha, é preciso ter opções. Quando você não enxerga as opções, você não vai ter a melhor escolha”, agrega.

Cosentino se diz preocupado com o fato de que “não há nada de novo” nos programas de governos divulgados até agora (talvez essa seja uma menção às intenções gerais de Lula e Bolsonaro, porque programas de governo nem existem, objetivamente falando).

“O mundo está falando de regionalização, de um novo reposicionamento da ordem econômica, de ESG, da transição energética, tem tanta coisa e não há uma linha dizendo que essas questões estão no cerne do programa de governo do candidato A, B ou C. Então, acho que estamos colocando a carroça na frente dos bois”, comenta Cosentino.

Cosentino também está envolvido políticamente no setor de TI, como presidente do conselho de administração da Brasscom, a maior entidade de empresas de tecnologia do país, desde 2020, tendo sido recentemente reeleito para mais dois anos.

Se por um lado é um fato positivo que a força motriz por trás da criação de uma das empresas de tecnologia mais bem sucedidas do país venha a público dar a sua opinião sobre os rumos da nação, por outro lado é possível se questionar se já não é um pouco tarde para que isso possa ter consequências práticas.

O debate eleitoral está polarizado há meses entre o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), com sucessivas tentativas de estabelecer um terceiro pólo fracassando uma atrás da outra.

Algumas das últimas pesquisas indicam a possibilidade de vitória de Lula ainda no primeiro turno.

Tebet, que na semana passada recebeu o apoio oficial do PSDB, aparece com 1%.

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