Rafael Paloni.

A americana ScanSource comprou a distribuidora brasileira Network1 por US$ 70 milhões, anunciou a empresa em nota divulgada nesta sexta-feira, 15.

O acordo inclui as operações da companhia para toda América Latina, incluindo Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru. 

Com estimativa de vendas líquidas para 2014 de R$ 850 milhões e 400 funcionários, a Network1 é uma das maiores distribuidoras do Brasil.

O portfólio da empresa inclui de mais de 65 fabricantes, entre eles Avaya, Checkpoint, Dell, Extreme, F5, HP, Juniper, Polycom, Microsoft, Riverbed e Schneider-Electric.

O negócio prevê que parte do pagamento depende da Network1 manter um crescimento de vendas de “dois dígitos” pelos próximos quatro anos. 

Essa não é a primeira compra da ScanSource no Brasil: em 2011, a empresa levou a CDC, a maior distribuidora de produtos de automação comercial do país, por US$ 63,3 milhões.

“Nós estávamos avaliando a real oportunidade de complementar e expandir nossos negócios, agregando produtos de comunicações para o mercado local”, explica  Mike Baur, CEO da ScanSource, Inc. 

Apesar de comum no exterior, no Brasil ainda não é frequente a prática de distribuidores trabalharem com automação comercial e software, o que pode mudar no futuro caso a ScanSouce seja bem sucedida em implantar o modelo de negócios por aqui.

Rafael Paloni, CEO da Network1, conduzirá os negócios corporativos da ScanSource Communications na América Latina.

“Unir forças com a ScanSource é a melhor atitude para Network1, para os nossos fornecedores, bem como nossos revendedores”, acredita Paloni. 

A Network1 vinha se preparando para a possibilidade de uma venda faz tempo. Ainda em 2010, a empresa se tornou uma sociedade anônima, meses depois de Paloni assumir a presidência. 

Os balanços já eram auditados desde 2006 e a empresa adotava procedimentos que são facultativos para companhias de capital fechado, como a nomeação de um conselho de administração com conselheiros independentes. 

No começo desse ano, a Network1 se tornou o distribuidor no país da Dell, atendendo a cerca de 300 canais.

A  ScanSource tem capital aberto na Nasdaq, emprega 1,5 mil funcionários e faturou US$ 2,9 bilhões no ano fiscal 2013 (o ano fiscal 2014 encerra no final de agosto).

Fontes de mercado ouvidas pelo Baguete avaliam que a compra foi um “golpe de mestre” da ScanSource, que com o negócio cortou a frente da Ingram Micro, outra gigante da área distribuição já a tempos tem tentado incrementar negócios na América Latina e seria a candidata natural para comprar a Network1.

O mercado nacional não é fácil. Em 2011, a Tech Data multinacional de distribuição presente no país desde 1997, anunciou que estava fechando as portas por aqui, alegando citando problemas criados por impostos e ambiente de legislação e regulatório complexos. 

A dificuldade do ambiente, combinado com margens de lucro apertadas e previsões de crescimento na faixa do 1% para os próximos dois anos, formam um cenário complexo para as distribuidoras de tecnologia no Brasil.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti), o mercado já vem desacelerando.

Segundo a entidade, o setor fechou 2012 com um faturamento de R$ 13,2 bilhões, uma alta de 5% sobre 2011. Foi uma desaceleração frente aos 7% de 2010. A entidade não voltou a divulgar levantamentos nesse sentido.  

Dados da Abradisti apontam que 95% do mercado brasileiro está nas mãos de um grupo framentado de 70 distribuidoras. Ronaldo Miranda, presidente da Officer, a maior companhia do setor no país, já disse publicamente que não esperava que restassem mais de 10 em um futuro próximo.