Eric Santos, CEO da Resultados Digitais.

A Resultado Digitais, startup de Florianópolis que é uma das maiores do setor de automação de marketing do país, acaba de receber um aporte de R$ 200 milhões liderado pelo fundo americano Riverwood Capital.

É o quarto aporte feito por um fundo na empresa (no jargão do meio de startups, um aporte de série D) e, de acordo com a Resultado Digitais, é o mais alto já recebido por uma empresa latino-americana no segmento de software como serviço.

Com o aporte, a Riverwood Capital junta-se aos outros cinco acionistas da empresa (TPG Growth, DGF Investimentos, Redpoint eventures, Astella Investimentos e Endeavor Catalyst).

A Riverwood anda interessada em empresas brasileiras com soluções SaaS voltadas para pequenas e médias empresas.

Em abril, colocou R$ 80 milhões na Omiexperience, dona de um software de gestão na nuvem.

A empresa já atua no mercado brasileiro há alguns anos, tendo feito aportes na Mandic, VTEX e Pixeon, e, de maneira mais chamativa, na Netshoes e 99. 

O maior case de sucesso no setor de tecnologia até agora é a desenvolvedora argentina de software Globant, a empresa empresa latina a abrir capital em Nova Iorque, ainda em 2014.

"As médias e pequenas empresas têm cada vez mais adotado plataformas na nuvem, pois são de fácil adoção, permitem escalabilidade e são muito mais acessíveis em termos financeiros, garantindo um retorno claro sobre o investimento. O novo investimento mostra que estamos no caminho certo", afirma Eric Santos, CEO da Resultados Digitais. 

Santos destaca que, além de desenvolver o software, a RD “sempre se preocupou em educar o mercado e fomentar o ecossistema de parceiros de serviços e de tecnologia”, algo “essencial para um mercado como o Brasil”.

A fase mais visível do esforço citado por Santos é o RD Summit, evento anual da Resultados Digitais que já está no calendário de eventos de tecnologia do país, com 12 mil participantes na última edição.

O aporte deve ser direcionado produto, pessoas e experiência de cliente, além da expansão internacional. No ano passado, a RD abriu operações na Colômbia e no México, onde já soma 600 clientes, um número importante, mais ainda pequeno frente aos 13 mil que tem no total.

O investimento também sinaliza a confiança dos investidores no potencial da RD, que teve a imagem algo abalada no ano passado, ao fazer um corte de 70 pessoas da equipe, cerca de 10% do total.

Readequações bruscas de pessoal fazem parte do cotidiano de startups nos Estados Unidos, mas no Brasil ainda são relativamente infrequentes (ou acontecem sem gerar repercussão).

Os cortes se concentraram na área de vendas e marketing, o que faz sentido para uma empresa que aposta em um modelo de software SaaS, que em tese, tem que se vender mais ou menos sozinho.

O RD Station, software da RD, conta com soluções para geração e nutrição de leads, email marketing, gestão de contatos e oportunidades, mídias sociais, otimização de sites e SEO, além de business intelligence e analytics. 

É um mercado disputado por meia dúzia de players no país, mas no qual a RD está se colocando rapidamente em outro patamar.