Olavo Póvoa.

A Integral, multinacional espanhola especializada em soluções de gestão de ciclo de vida do produto (PLM, na sigla em inglês) da PTC, tem a meta de atingir um faturamento no Brasil na faixa dos US$ 7 milhões em três anos, tornando-se a maior parceira da empresa no país.

A empresa já tem duas filiais no Brasil, uma em Porto Alegre e outra em Curitiba. A capital gaúcha foi a primeira unidade brasileira, aberta em março de 2013 pela SCA, uma concorrente espanhola adquirida pela Integral em abril desse ano.

Com a compra, a Integral passou a ser o único canal da PTC na Espanha e Portugal, com um faturamento de € 12 milhões e 55 funcionários.

Por aqui a operação é mais modesta, com oito funcionários, mas está crescendo e deve ser a grande aposta da companhia nos próximos anos.

Liderada no Brasil pelo português Olavo Póvoa, a empresa acaba de contratar Maurício Carneiro, ex-vendedor da revenda SolidWorks IST Sistemas em São Leopoldo. À frente da filial curitibana está Alfredo De Seta, outro ex-IST.

“Nossos planos são abrir uma nova filial em São Paulo ou Belo Horizonte em 2015”, afirma Póvoa.

A empresa já atende clientes como Sulmaq, empresa de Guaporé especializada maquinário para frigoríficos e com a TMSA, companhia de Porto Alegre que fabrica sistemas para silos de cereais.

Ambas empresas usavam uma solução de gestão de documento de produto (PDM, na sigla em inglês) com a qual geriam a documentação de projetos de engenharia e passam agora a usar o Windchill, uma ferramenta com maior porte com a qual é possível gerir os dados desde a fase de produto até a disposição final, passando por serviços e assistência técnica.

A empresa está também ampliando as funcionalidades de PLM em uso em companhias como Embraco e Whirlpool.

A vinda de parceiros como a Integral (e, segundo circula nos bastidores, o descredenciamento de alguns canais locais) é parte da estratégia da PTC no Brasil para executar por aqui o movimento existente em nível mundial visando se posicionar além como uma empresa com soluções para todo a vida de produto.

O novo posicionamento inclui a venda de soluções para gestão de serviços e de software embarcado, por exemplo, e não apenas para design 3D, mercado no qual a empresa surgiu e que hoje está em franco processo de comoditização.

Hoje, as receitas da empresa em nível mundial já refletem a estratégia. No ano passado, quando a empresa faturou US$ 1,29 bilhão, alta de 3%, o negócio CAD levou 42% do total, seguido por 43% de PLM e 11% da oferta de SLM, com o restante dividido entre um número crescente de siglas de três letras.

No Brasil, o plano tem sido um sucesso. A PTC está embalada por aqui nos últimos tempos, tendo conseguido fechar contratos de porte que representam saltos de qualidade na operação numa tacada só.

Nessa semana, a empresa anunciou um grande contrato de implementação de software de gestão de serviços com a operadora de cartões Cielo.

Em 2012, a empresa venceu os arquirrivais da Dassault Systemes e Siemens em um projeto de implementação de software de gerenciamento de ciclo de vida do produto na Embraer de 10 anos avaliado em US$ 50 milhões.

A PTC, que ao fechar o contrato com a Embraer tinha oito colaboradores no Brasil, hoje tem mais de 50, com 20 deles alocados exclusivamente na fabricante de aviões.