Empresa havia sido adquirida pelo Softbank em 2016 por US$ 31 bilhões. Foto: divulgação.

A Nvidia anunciou a aquisição da Arm Limited, fabricante de chips que faz parte do SoftBank desde 2016, em uma transação que pode chegar a US$ 40 bilhões e levar cerca de 18 meses para ser concluída.

No acordo, que foi aprovado pelos conselhos de administração das empresas, ficou estabelecido que a Nvidia pagará um total de US$ 21,5 bilhões em ações ordinárias da empresa ao SoftBank e US$ 12 bilhões em dinheiro, sendo US$ 2 bilhões pagos no momento da assinatura.

Além disso, o SoftBank pode receber até US$ 5 bilhões em dinheiro ou ações sob um conceito de earn-out, caso atinja metas de desempenho financeiro específicas.

Para completar o valor, a Nvidia emitirá US$ 1,5 bilhão em ações para os funcionários da Arm.

Nesse contexto, o SoftBank deve terminar o processo com uma participação inferior a 10% na Nvidia.

Para tudo isso acontecer, no entanto, a transação ainda está sujeita às condições habituais de fechamento, como aprovações regulatórias para o Reino Unido, China, União Europeia e Estados Unidos.

De acordo com o site The Verge, a aquisição certamente enfrentará o escrutínio regulatório em um ambiente que é menos amigável para fusões do que em qualquer momento recente.

No entanto, o fato da Nvidia e a Arm não competirem diretamente pode ser útil para o processo.

Fundada em 1990, a britânica Arm é baseada em Cambridge e foi comprada pela japonesa Softbank em 2016 por US$ 31 bilhões.

A empresa já desenvolveu mais de 180 bilhões de chips, utilizados em produtos que vão desde sensores até smartphones — incluindo marcas como Apple, Samsung e Qualcomm — e supercomputadores.

Ela ainda possui um grupo de serviços IoT, que não está incluído na transação. 

Com a venda, a SoftBank e a Arm afirmaram estar totalmente comprometidas em cumprir os compromissos assumidos pelo SoftBank quando adquiriu companhia — que devem seguir até setembro de 2021.

Após o fechamento do negócio, a Nvidia pretende manter o nome e a identidade da marca Arm, que permanecerá com a propriedade intelectual registrada no Reino Unido.

Como parte da Nvidia, a Arm continuará a operar seu modelo de licenciamento aberto enquanto mantém a “neutralidade global do cliente”. Já os mais de 1 mil parceiros da companhia passam a se beneficiar das ofertas das duas empresas.

A Arm continuará com a sede no mesmo local, que será expandido com a construção de um centro de pesquisa de inteligência artificial voltada para áreas como saúde, ciências biológicas, robótica, carros autônomos e outros campos.

Para atrair pesquisadores e cientistas do Reino Unido e de todo o mundo, a Nvidia deve construir um supercomputador de IA de última geração, equipado com CPUs Arm. Além disso, o local terá instalações de treinamento para desenvolvedores e uma incubadora de startups.

“A Nvidia é o parceiro perfeito para Arm. Esta é uma combinação atraente que projeta Arm, Cambridge e o Reino Unido para a vanguarda de algumas das mais emocionantes inovações tecnológicas de nosso tempo”, destaca Masayoshi Son, presidente e CEO do SoftBank Group Corp (SBG).

A companhia pretende unir os recursos de IA da Nvidia Enterprise com o ecossistema da Arm para avançar na computação em nuvem, smartphones, PCs, carros autônomos e robótica, superando a IoT e expandindo a computação de IA para o mundo inteiro.

“Nos próximos anos, trilhões de computadores executando IA criarão uma IoT, que será milhares de vezes maior do que a IoT de hoje. Nossa combinação criará uma empresa fabulosamente posicionada para a era da IA”, afirma Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia. 

Segundo a Nvidia, a combinação traz benefícios para ambas as empresas, seus clientes e a indústria.

“Ao reunir os pontos fortes técnicos de nossas duas empresas, podemos acelerar nosso progresso e criar novas soluções que permitirão um ecossistema global de inovadores. Minha equipe de gerenciamento e eu estamos entusiasmados por ingressar na Nvidia para que possamos escrever este próximo capítulo juntos”, afirma Simon Segars, CEO da Arm. 

Fundada em 1993, a Nvidia inventou o GPU, ou unidade de processamento gráfico, em 1999 e, mais recentemente, passou a investir em IA. Em 2018, a empresa faturou US$ 11,72 bilhões.