.Gov é a nova paixão da SAP. Foto: dencg / Shutterstock

A SAP acaba de nomear Afonso Lamounier, ex-diretor de Alianças Público e Privadas da Microsoft, para assumir o cargo de vice-presidente para assuntos corporativos e relações governamentais para Brasil e América Latina.

Lamounier fez carreira na Microsoft, onde entrou em 2002 e passou por uma série de cargos, todos relacionados a relações com o governo e alguns deles em nível latino americano.

O executivo também trabalhou no Grupo Promon e na consultoria americana de gestão empresarial A.T.Kearney, onde liderou projetos diretamente relacionados ao setor público nas áreas de saúde, infraestrutura e tecnologia.

“Tenho como principal foco fortalecer as relações de abrangência nacional e internacional, por isso, buscarei ampliar ações que favoreçam o diálogo com as diferentes esferas de governo tanto no Brasil como na América Latina e Caribe”, diz Lamounier, que reportará ao head global da área.

A contratação de Lamounier, um executivo vindo de uma companhia que vende muito mais para o setor público do que a SAP, sinaliza a vontade dos alemães de fortalecer sua presença nesse mercado, o destino de mais ou menos metade do gasto em TI do Brasil.

Em dezembro do ano passado, o então presidente da SAP para América Latina no Sul (região geográfica que cobra Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e Argentina), Diego Dzodan, revelou a existência de uma meta de tirar a participação das vendas para o governo “das porcentagens de um dígito do faturamento para dois dígitos”. 

Não é possível saber o quanto isso representa, mas calculando a quantidade pequenas de cases que a SAP tem na administração pública e o quanto a empresa fatura na iniciativa privada, é uma aposta segura especular que a cifra está em algum lugar abaixo de 5% e a meta é fazer ela passar dos 10%.

Para isso, a SAP tem trazido profissionais de fora da empresa. Em setembro do ano passado, a empresa trouxe Theo Pappas para assumir o cargo VP de vendas para indústrias reguladas, o que inclui governo e outros setores com forte influência estatal como defesa, telecome e utilities.

Pappas também veio da Microsoft, onde foi diretor regional em Brasília por quatro anos.  No mesmo mês, a empresa também contratou Jackson Borges, vindo da IBM para ocupar o cargo de diretor de serviços públicos.

A estratégia da SAP para a sua oferta de governo é trabalhar com soluções focadas em necessidades específicas, como processamento de folha, software analítico, portais e aplicativos de mobilidade para serviços ao cidadão. A empresa já tem algumas conquistas para justificar o esforço. 

A Secretaria de Administração do Estado da Bahia anunciou em abril que vai implementar o software gestão de pessoas da SAP em 65 empresas e órgãos públicos do estado, com consultoria da Resource IT Solutions. O valor do contrato é de R$ 38,3 milhões com duração de cinco anos.

Outro grande contrato fechado foi com a Caixa Econômica Federal que decidiu consolidar 80 sistemas legados usando a aplicação da SAP para core banking em um contrato de R$ 518 milhões em três anos com a SAP.

Vale lembrar que tanto a Bahia como o governo federal são administradas pelo PT, partido que historicamente defendeu uma política de fomento ao uso de software nacional, preferencialmente open source, na administração pública. 

Seja qual o for o partido que ganhe as eleições presidenciais para este ano, parece que o futuro da SAP no governo será melhor do que o presente.