Marco Stefanini tem motivos para sorrir.

A Stefanini vai fechar o ano com um faturamento de R$ 2,6 bilhões, o que representa uma alta de 11% frente aos resultados de 2014.

O resultado cumpre meta divulgada pela companhia no final de 2014, ano no qual a gigante brasileira de TI também cresceu 11% e prometeu manter o ritmo neste ano.

Por outro lado, as cifras ficam abaixo das metas divulgadas em 2013 de chegar ao final de 2016 faturando R$ 4 bilhões.

Claro que existe uma grande diferença entre o Brasil de 2013 e o atual.  Visto à luz do que o ano de 2015 acabou virando, os resultados da Stefanini adquirem outro brilho.

Os economistas do mercado financeiro acreditam que o PIB do Brasil vai fechar 2015 em queda de 3,62%, segundo o último boletim Focus do Banco Central.

Em dezembro de 2014, quando a Stefanini divulgou sua meta de 11%, o Boletim Focus ainda estimava um crescimento de 0,69% para a economia brasileira em 2015, número que vem sendo atualizado para expectativas cada vez piores desde então.

Se confirmado, o PIB previsto para 2015 será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando houve retração de 4,35%.

Os resultados estão acima ainda do mercado de TI como um todo, que, de acordo com dados do IDC, deve movimentar US$ 64,3 bilhões no Brasil até o final de 2015, uma alta de 7,3%, o que não cobre a inflação prevista de 10,6% para o período.

Além de ter tido um resultado respeitável, a Stefanini também está em uma posição privilegiada para aproveitar o real desvalorizado. Hoje, cerca de 40% das receitas da empresa já vem de fora do país.

Ao longo do ano, a companhia também deu algumas grandes tacadas em 2015, incluindo a compra de 40% da receita da Saque e Pague, rede de caixas multisserviços sediada em Porto Alegre.

Em fevereiro, a Stefanini anunciou uma “fusão” com a IHM Engenharia, empresa mineira especializada em projetos de automação industrial.

As aspas vão por conta da falta de informações por parte da empresa sobre os termos do negócio. A Stefanini não falou em uma nova composição acionária, o modelo de atuação conjunta ou abriu valores sobre a operação.

No mês seguinte, a Stefanini se uniu à Tema Sistemas, presente no mercado financeiro há 30 anos, para criar a joint venture Stefanini Capital Market.

Com a nova empresa, a Stefanini montou uma oferta que vai da originação de crédito (Orbitall), consultoria, banking operation a gerenciamento de back-office.

Em junho, a Stefanini montou ainda a Inspiring, uma empresa de soluções para telecom comandada por João Mota, ex-presidente da Portugal Telecom Inovação Brasil.