COUNTRY

Oracle investe em Nashville

16/04/2021 09:55

Gigante vai gastar US$ 1,2 bilhão em campus para 8,5 mil funcionários na cidade americana.

Nashville é um destino turístico para fãs de música country. Foto: https://www.flickr.com/photos/spablab/

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A Oracle vai investir US$ 1,2 bilhão para construir um campus para 8,5 mil funcionários em Nashville, cidade no sul dos Estados Unidos conhecida por ser a meca da música country.

Os escritórios vão ocupar 111 mil metros quadrados, em uma área ao lado do rio que corta a cidade que a Oracle vai comprar. 

Com uma população na área metropolitana de quase 2 milhões de habitantes, Nashville não é uma cidade grande, nem um destino habitual de grandes players de tecnologia.

Mas essa parece ser mesmo a lógica por trás dos últimos movimentos de muitas grandes empresas de tecnologia, aproveitando o esvaziamento dos escritórios causado pelo coronavírus para reformular sua presença física.

A norma parece ser deixar de lado o Vale do Silício, com seus aluguéis caros e grande disputa por mão de obra, e apostar em novos endereços, muitos no Sul dos Estados Unidos, já há algum tempo a área do país onde a população mais cresce.

Antes mesmo de abrir a operação em Nashville, a Oracle já havia decidido transferir sua sede dos icônicos edifícios redondos em Redwood Shores, na Califórnia, para Austin, no Texas. 

Larry Ellison, o fundador e atual presidente da Oracle, decidiu se mudar para uma ilha no Havaí, e trabalhar em home office.

O anúncio da Oracle de que ia para Austin aconteceu em dezembro do ano passado, duas semanas depois da HPE, outro ícone do setor de tecnologia, mudar sua sede de San Jose, também no Vale do Silício, para os arredores de Houston.

A HP, companhia da qual a HPE descende, foi fundada em 1939 em uma garagem de Palo Alto, sendo uma das fundadoras de toda a mitologia relacionada com empresas criadas em garagens da região, que inclui também nas gerações seguintes Intel, Apple, Google e um longo etc.

Nos dois casos, a combinação de fatores que motivou a decisão foi a mesma: altos aluguéis, salários e impostos, uma realidade no Vale do Silício há tempos, combinados com o catalisador do coronavírus, que introduziu home office em massa e levou às empresas a questionarem sua maneira de fazer as coisas.

A conta é fácil: com a mudança, empresas como a Oracle e HPE podem vender ou alugar escritórios na Califórnia por preços ainda relativamente altos, enquanto reabrem operações menores no Texas, onde a carga tributária é menor.

Uma parte dos funcionários passa a trabalhar em casa. Para os que se mudam para a nova sede, os aluguéis são menores, o que torna os salários mais atrativos.

Austin já tem operações da IBM, Dell e Samsung e é conhecida mundialmente pela vida cultural encapsulada no badalado SXSW, se tornou um pólo atrativo para startups na última década.

Há algum tempo começaram a surgir indícios de que o Vale do Silício, um sinônimo de inovação (pensem em todos os outros lugares que se chamam Vale de Alguma Coisa), estava entrando em decadência.

Um dos principais problemas é o aumento do valor dos aluguéis. Em São Francisco, a maior cidade do Vale, um apartamento de um quarto custa em média US$ 3,700 por mês, o que acaba inflacionando os salários que precisam ser pagos para atrair profissionais.

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