Funcionários da AES Sul no campo. Foto: divulgação.

A CPFL Energia, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, fechou a compra da AES Sul, operadora do grupo AES no Rio Grande do Sul, por R$ 1,6 bilhão.

A AES Sul atua em 118 cidades das regiões Metropolitana de Porto Alegre e Centro-Oeste do Rio Grande do Sul, fornecendo energia para 1,3 milhão de clientes. A sua área de concessão é contígua à da RGE, distribuidora do Grupo CPFL no estado. 

De acordo com fontes do setor elétrico ouvidas pelo Baguete, o negócio faz sentido para as duas partes, uma fez que a CPFL poderá ter ganhos de escala com a união das áreas maiores do que a AES tem hoje.

Hoje, a CPFL detém market share de 13% do mercado nacional de distribuição, fornecendo energia para 7,8 milhões de consumidores em 571 municípios nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais por meio de oito concessionárias. 

Com a compra da AES Sul, o seu market share neste mercado alcançará 14,3%. É a segunda compra no Rio Grande do Sul, depois da RGE, em 2006. A cobertura alcançará 382 dos 497 municípios gaúchos, ficando o terço restante nas mãos da estatal CEEE.

Do ponto de vista das áreas meio, como TI, a aquisição não deve oferecer muito trabalho para a CPFL na consolidação das operações.

Segundo o Baguete pode averiguar, a operação da AES Sul em TI é muito mais reduzida do que era a da RGE, que chegou a ter equipe de 30 profissionais e CIO próprio durante alguns anos após a aquisição pela CPFL.

A TI da AES Sul teria algo como entre 10 e 20 profissionais em nível de analistas. O comando já é centralizado na AES Eletropaulo, com o diretor de TI Antonio Narvaez. Sandra Heck, a última gerente de projetos de TI específica da AES Sul saiu da empresa em 2011.

Como um todo, a operação é bastante terceirizada. Um grande contrato nesses moldes foi assinado com a Indra em 2013, cobrindo o gerenciamento de sistemas pelos cinco anos seguintes.

O CIO da CPFL, aliás, é o gaúcho Marcelo Carreras, que começou a carreira no setor elétrico na RGE, antes de passar pela Light e ser contratado pela CPFL em 2009.

Em relação a RGE, a política da CPFL foi homogeinizar a TI, fazendo o roll out de uma solução de billing da SAP na companhia em 2014. 

Do ponto de vista de sistemas de gestão, não deve haver dificuldade, uma vez que tanto CPFL como AES Sul são clientes da SAP. 

De acordo com Geraldo Guimarães, executivo da Indústria de Utilities da SAP Brasil,  mais de 80% de mercado das empresas de utilities no Brasil é cliente da multinacional alemã.