Em 10 anos, as escolas públicas ensinarão ciência da computação em NY. Foto: Tyler Olson/Shutterstock.

Para garantir que todas as crianças aprendam as habilidades necessárias para trabalhar no setor de tecnologia de Nova York, que tem crescido rapidamente, o prefeito da cidade, Bill de Blasio, vai anunciar que dentro de 10 anos todas as escolas públicas serão obrigadas a oferecer ciência da computação para todos os estudantes.

Segundo o New York Times, essa meta vai apresentar grandes desafios, principalmente na formação de professores. A publicação afirma que não há uma certificação local para professores de ciência da computação, além de não haver uma leva de professores de ciência da computação sindo da faculdade. 

Hoje, menos de 10% das escolas municipais oferecem qualquer forma de educação focada em ciência da computação. No total, apenas 1% dos estudantes da cidade recebem essa formação, de acordo com estimativas do departamento de educação de Nova York.

Mesmo com a determinação da prefeitura, a área de ciência da computação não vai se tornar uma exigência da graduação. Assim, escolas de ensino fundamental e médio (middle e high schools, nos Estados Unidos) podem optar por oferecer a formação apenas como disciplinas eletivas.

Ainda assim, o objetivo é que todos os estudantes, mesmo em escolas primárias (elementary school), tenham alguma exposição a ciência da computação, seja construindo robôs ou aprendendo a usar linguagens de programação básicas.

Pelo menos duas outras cidades americanas assumiram recentemente compromissos de oferecer ciência da computação para todos os seus alunos. 

Chicago afirmou que irá estabelecer como exigência para a conclusão do ensino médio a aprendizagem de ciência da computação por pelo menos um ano a partir de 2018. 

Já o conselho de educação de São Francisco aprovou a meta de oferecer disciplinas na área para crianças da educação infantil até alunos do ensino médio, fazendo do assunto parte obrigatória do currículo até a oitava série.

Em Nova York, a demanda por profissionais de tecnologia cresceu 57% entre 2007 e 2014. Até o final do ano passado, a cidade contava com 300 mil empregados no setor de tecnologia.

Na cidade, o polo que reúne indústrias de tecnologia é chamado de Sllicon Alley. No primeiro semestre de 2015, o Silicon Alley geroumais de US$ 3,7 bilhões em investimentos de capital de risco. A maior parte do capital foi para empresas com sede em Manhattan, bem como Brooklyn e Queens.

Por isso, a cidade planeja investir US$ 81 milhões ao longo de 10 anos para incrementar o ensino de computação. A cidade espera levantar metade desse valor a partir de fontes privadas. 

Algumas das primeiras contribuições vieram da AOL Charitable Foundation, da Fundação Robin Hood e do investidor Fred Wilson, que anteriormente financiou a primeira escola de ensino médio da cidade dedicada à ciência da computação.

A cidade estima que terá que treinar cerca de 5 mil professores para cumprir sua promessa de fornecer o ensino em todos os níveis de escolaridade. Alguns poderão ensinar ciência da computação exclusivamente, enquanto outros podem ser professores do ensino fundamental tradicionais que vão aprender a incorporar o assunto no currículo.