Funcionários da Procergs votaram pela greve. Foto: Sindppd.

Funcionários da Procergs entraram em greve por período indeterminado nesta quarta-feira, 16.

De acordo com o Sindppd-RS, a mobilização teve uma das “maiores adesões da história”, ficando acima dos 90%. Em outras greves, as estimativas no primeiro dia costumam ficar na faixa dos 80%.

A direção da estatal gaúcha de processamento de dados, por outro lado, estima uma participação de 20%. A Procergs tem 1,1 mil funcionários.

A Procergs está oferecendo um reajuste para os benefícios, como os vale alimentação, refeição e rancho pelo INPC (inflação do período, medida em 9,31%). 

Para os salários, a cifra seria 4,6%, de forma parcelada e a partir da folha de novembro. A diferença referente ao retroativo à data-base de 1º de julho seria pago apenas em Junho do ano que vem.

O Sindppd-RS, que inicialmente demandava um aumento real de 3%, faz uma contraposta com benefícios reajustados pelo INPC imediatamente e os salários também, em três vezes.

“A recomposição das perdas com a inflação já estava prevista no orçamento da Procergs para este ano. É uma proposta de acordo com a situação atual”, assegura Ormar da Rosa funcionário da estatal e diretor do Sindppd-RS.

Os funcionários da Procergs, que são CLTistas, não são afetados pelo parcelamento dos salários dos colaboradores do executivo estadual, que, devido à crise financeira, está pagando os salários de agosto de quatro parcelas, começando em R$ 600.

Isso não significa, no entanto, que a Procergs não seja afetada pela crise. Como acontece com outros fornecedores do estado, a empresa não está recebendo o pagamento completo pelos seus serviços.

Procurada, a Procergs disse por meio da sua assessoria de imprensa que está pagando os salários em dia com “grandes esforços” e que manter a folha em dia é “a prioridade número 1”.

Rosa, por sua vez, ecoa a linha do Sindppd-RS e outras organizações de esquerda ao dizer que a crise está “sendo criada”, como uma cortina de fumaça para fazer avançar medidas impopulares como aumento de impostos e privatizações e que a direção da Procergs tem “a obrigação de pagar os salários em dia”.

“Sem salário não tem trabalho. Aqui isso não cola”, afirma Rosa.

Teorias e obrigações à parte, o fato é que a Procergs está em sérios apuros.

Em um momento em que o governo do estado atrasa repasses para hospitais e atrasa o salário da Brigada Militar, criando problemas sérios nas áreas de saúde e segurança, parece óbvio que pagar as contas de um fornecedor controlado por ele mesmo não será a prioridade do governo do estado.

Aumentos de salários também passam longe dos planos do executivo gaúcho. Assim como a versão nacional, o projeto de lei orçamentária gaúcho para 2016 enviado à Assembleia Legislativa não prevê reajustes para o funcionalismo.

O governador José Ivo Sartori (PMDB) parece estar colocando as fichas que a dificuldade da situação fará passar o aumento de impostos proposto do governo de  25% para 30% da gasolina, do álcool, das telecomunicações e da energia elétrica comercial e residencial acima de 50 KW.

Caso o aumento não seja aprovado - pacotes parecidos foram rechaçados no passado e os últimos levantamentos feitos pela imprensa gaúcha apontam que ainda não há maioria dessa vez - a direção da Procergs pode ver esgotada sua margem de manobra.