Abertura da Futurecom em 2017. Foto: Futurecom.

Três representantes das forças armadas do Brasil estiveram presentes na abertura da Futurecom, um dos maiores eventos de tecnologia do país, em uma movimentação que parece sinalizar um reconhecimento do mercado à influência dos militares em um futuro governo liderado por Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo relata o TeleSíntese, estiveram presentes nesta segunda-feira, 15, pela primeira vez na abertura, dirigentes das forças armadas, incluindo representantes do Comando do Exército, do Comando das Forças Armadas e do Comando do Distrito Naval. 

A reportagem do Baguete procurou a organização da Futurecom para confirmar os nomes dos participantes e o fato de ser um acontecimento inédito nas 20 edições do evento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Não há motivos para duvidar do TeleSíntese, um site especializado em telecomunicações que cobre em detalhes a Futurecom desde a origem. 

De acordo com Miriam Aquino, diretora da empresa que publica o TeleSíntese, “os militares estavam lado a lado aos ainda ministros civis do governo Temer, Gilberto Kassab, da Ciência e Tecnologia, e Marco Jorge, do Desenvolvimento”.

Na abertura do evento de 2017, na qual esteve presente o presidente Michel Temer (PMDB), foram citadas quase 30 autoridades, em nível federal, estadual e municipal, além de representantes de outros países e entidades do setor de telecom. Não foi mencionado nenhum representante das forças armadas.

Claro que o cenário agora é outro. A primeira pesquisa Ibope para o segundo turno, divulgada nesta mesma segunda, aponta Bolsonaro com 59% dos votos válidos no segundo turno, contra 41% para Fernando Haddad (PT).

No primeiro turno, Bolsonaro teve 46,03% dos votos válidos (quase 50 milhões de votos). Haddad ficou com 29,28% (cerca de 30 milhões de votos).

O presidenciável do PSL tem mais simpatizantes convictos: 41% votariam nele com certeza, e 35% não votariam de jeito nenhum. No caso do petista, 47% não o escolheriam em nenhuma hipótese, e 28% manifestaram certeza na escolha.

Os números indicam que Bolsonaro é o favorito e a organização da Futurecom parece estar se movendo de acordo. 

Junto com o Febraban, organizado pelos bancos, a Futurecom é uma das feiras que reúne o PIB nacional de tecnologia. No ano passado, foram mais de 220 expositores e 15 mil participantes, entre eles 5,3 mil congressistas.

Cada vez mais, feiras desse tipo se orientam para atividades de conteúdo e networking. No setor de telecomunicações, um segmento bastante regulado (a Futurecom nasceu com a abertura do mercado, no final dos anos 90), atores de governo são parte importante da discussão.

Em um futuro governo Bolsonaro, isso inclui os militares. Desde o começo da campanha (muito antes disso, na verdade), o capitão reformado do Exército vem pregando uma maior participação dos militares em cargos da administração pública ocupados por civis desde a redemocratização.

Em agosto, em entrevista para o jornal o Globo, Bolsonaro afirmou que, caso eleito, o ministério será composto por “um montão” de militares. Na época, o ex-astronauta Marcos Pontes foi citado por Bolsonaro como um possível ministro de Ciência e Tecnologia.

O nome de Pontes desde então não voltou a ser citado, mas um levantamento mais recente do Diário Catarinense coloca seis militares no futuro ministério de Bolsonaro, incluindo a Defesa e Transportes, além de funções ainda a serem criadas nas áreas de articulação política e segurança.

A Futurecom foi recentemente vendida para a Informa Exhibitions é uma unidade de negócios do grupo britânico Informa. 

Nos últimos quatro anos, a empresa investiu cerca de R$ 400 milhões no Brasil em aquisições de eventos, marcas e títulos no segmento de exposições e feiras de negócios. 

Com 230 profissionais e escritórios em São Paulo (sede) e Curitiba, a Informa Exhibitions possui em seu portfólio feiras de grande porte, tais como: Agrishow, Fispal Tecnologia, Fispal Food Service, ForMóbile, Futurecom, ABF Franchising Expo, Serigrafia SIGN FutureTEXTIL, FEIMEC, entre outras, totalizando 23 encontros setoriais.