A Microsoft lançou um fundo para colaborar com o acesso barato à web. Foto: Ken Wolter/Shutterstock.

A Microsoft lançou um novo fundo que tem o objetivo de colaborar com empresas que tenham soluções para proporcionar acesso à internet a preços acessíveis para os mercados carentes.

O fundo é parte da iniciativa “Affordable Access”, da Microsoft, que investe em novas tecnologias de acesso, novos serviços e aplicações baseados na nuvem, e novos modelos de negócios que podem reduzir o custo de acesso à web.

"Hoje existem cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo sem acesso à internet. A capacidade de fechar essa lacuna é mais viável do que nunca com a tecnologia que está disponível em muitas partes do mundo. Através deste fundo, esperamos relançar o processo empreendedor, identificando idéias promissoras que podemos ajudar a crescer", explica Peggy Johnson, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Microsoft.

Dentro da iniciativa “Affordable Access”, a Microsoft firma parcerias com provedores de acesso à internet e outras entidades do setores público e privado para ampliar soluções inovadoras de conectividade e serviços criados para proporcionar o maior impacto sócio-econômico para o maior número de pessoas.

Empresas com dois ou mais empregados em tempo integral podem inscrever produtos e modelos de negócios que propiciem baixo custo de conectividade no site da iniciativa da Microsoft até 15 janeiro de 2016.

Além de receber, em média, US$ 75 mil em financiamento, os produtos selecionados também terão a oportunidade de participar de um programa oferecido pela Microsoft para se conectar com outros beneficiários e potenciais financiadores.

A intenção da Microsoft é colaborar para que os produtos consigam atingir uma escala maior. A iniciativa lembra o projeto do Facebook para proporcionar maior acesso à internet. A empresa de Zuckerberg conta com o Internet.org, iniciativa que oferece aplicativos sem consumo de banda para pessoas de baixa renda.

No entanto, o projeto do Facebook passou a enfrentar resistência no Brasil. Na semana passada, os procuradores da República Neide de Oliveira, Marcia Miranda, e Carlos da Silva, afirmaram que o projeto fere o conceito de neutralidade de rede, definido na lei do Marco Civil da Internet.

“O projeto não é Internet porque não permite o amplo e irrestrito acesso a todos os serviços disponíveis na redes e também que não é .org, uma organização sem fins lucrativos, porque resta claro que o objetivo é promover, para milhões de potenciais consumidores ainda alheios à internet, o Facebook e todos os produtos vendidos por seus parceiros”, explica o texto.

Os procuradores ressaltam que o acesso restrito a aplicativos escolhidos pela plataforma fere o artigo 4° do Marco Civil, que estabelece que o acesso a todos é um dos princípios para gestão da internet no país.

Por fim, a análise recomenda que, antes de sua implementação, Anatel, Ministério das Comunicações, CGI.br, Secretaria do Consumidor do Consumidor do Ministério da Justiça e à PGR também opinem sobre o Internet.org.

O Internet.org foi lançado pelo Facebook em 2013 e está disponível na Zâmbia, Tanzânia, Quênia, Ghana, Colômbia e partes da Índia. O serviço disponibiliza acesso à rede social e outros apps como Google Search, Wikipedia, AccuWeather e BBC News.

No Brasil, no momento, apenas a favela de Heliópolis, em São Paulo, tem um projeto piloto.