Sony em maus lençóis. Foto: divulgação.

Desde a primeira semana de dezembro, a Sony Pictures está debaixo de um dos mais graves ataques de hackers na história recente. O que começou com o vazamento de filmes se alastrou para a divulgação de informações sigilosas, trocas de e-mails e arquivos de projetos ainda não divulgados pelo estúdio.

Segundo o Financial Times, o maior baque sofrido pela empresa não foram os milhões de dólares perdidos com o vazamento de filmes como Corações de Ferro e Mr. Turner. As perdas do estúdio estão também na repercussão com o vazamento de emails contendo ofensas a atores e executivos do meio cinematográfico.

Nomes como a atriz Angelina Jolie, diretores como David O. Russell (Trapaça) aparecem citados em conversas entre a co-CEO do estúdio Amy Pascal e outros produtores. Além disso, listas de salários de atores, roteiros ainda não filmados e contratos confidenciais também foram vazados pelo grupo Guardians of Peace, que assumiu a autoria dos ataques.

Vale lembrar que as informações estão sendo divulgadas aos poucos pelo grupo, que justifica o ataque como uma represália ao filme "The Interview", comédia que satiriza o presidente norte-coreano Kim-Jong-Un.

"No fim das contas, o vazamento vai muito além da etiqueta no uso dos emails", avaliou o jornal inglês. Segundo o veículo, a empresa pecou ao baixar a guarda em seus sistemas de segurança.

Não é a primeira vez que a multinacional sofre com ataques cibernéticos, o que aponta que a empresa não aprendeu sua lição a tempo. Em 2012, a Playstation Network, rede da empresa para os videogames da linha Playstation, foi crackeada e tirada do ar por mais de um mês. Na ocasião, dados como endereço e cartões de crédito de usuários também foram acessados.

Segundo destacou Kevin Mandia, analista da companhia Mandiant, especializada em segurança digital, a Sony acabou se tornando um alvo fácil depois do primeiro ataque. De acordo com a empresa, 38% das companhias que tiveram ataques digitais tiveram um repeteco.

No ataque à Playstation Network, a Sony teve perdas de US$ 171 milhões. Analistas de sites como o Business Insider já avaliam este ataque em perdas iniciais de US$ 100 milhões.

Entretanto, para o Washington Post, o prejuízo do ataque vai muito além disso. Além dos custos para recompor sua infraestrutura e sistemas, assim como as perdas de bilheteria, a empresa também deve sofrer com processos de profissionais que tiveram suas informações divulgadas.

Além disso, o vazamento de documentos e contratos podem estancar negociações em andamento, afetando projetos futuros do estúdio. Um deles foi a abertura de informações sobre o próximo filme do personagem James Bond, com lançamento previsto somente para 2016. O filme anterior da franquia, Skyfall, foi a segunda maior bilheteria global de 2012, com US$ 1,1 bilhão.

"De um ponto de vista de longo prazo, a Sony não deveria estar se perguntando 'O que perdemos?' e sim 'Como o nosso potencial de crescimento foi comprometido?", destacou Allan Friedman, professor de Ciências de Computação da George Washington University ao WP.

Para piorar, parece que o drama - ou filme de terror - está longe de acabar. Esta semana, o grupo responsável pelos ataques divulgou na web que está preparando um "presente especial" de Natal para a companhia.

"O presente será maiores quantidades de dados. E será interessante. O presente certamente lhes dará muito mais prazer e colocará a Sony Pictures em pior estado", afirmou o grupo nas redes Pastebin e Friendpaste.

Para tentar estancar a sangria que a divulgação de emails e documentos internos pode causar em seus negócios, a companhia pediu a algumas empresas de notícias esta semana para pararem de publicar informações contidas em documentos roubados.

O The New York Times, o The Hollywood Reporter e a Variety publicaram matérias noticiando que cada um recebeu uma carta de David Boies, advogado da Sony, exigindo que as publicações parem de divulgar informações contidas nos documentos e os destruam imediatamente.

O estúdio "não consente com sua posse, análise, cópia, disseminação, publicação, carregamento, download ou qualquer uso" da informação, disse Boies na carta, segundo a reportagem do New York Times.