Temer ou Dilma, tanto faz. Foto: Agência Brasil.

Aqueles que colocam no impeachment da presidente Dilma Rousseff suas esperanças de recuperação econômica do país precisam ser cautelosos - independente de quem estiver à frente do país, 2016 será um ano ruim. Provavelmente, 2017 também.

Foi o quadro pintado pelo economista chefe da Federasul, André Azevedo, no tradicional almoço de final de ano da entidade empresarial com jornalistas gaúchos em Porto Alegre nesta quarta-feira, 16.

De acordo com Azevedo, o Brasil se encaminha para bater um recorde em termos de desaquecimento econômico, estando predisposto a sofrer pela primeira vez uma “recessão longa e intensa”, frente aos fenômenos anteriores que foram curtos e agudos ou longos e brandos.

O Brasil já acumula três trimestres de desaquecimento econômico, totalizando uma queda total de 3,2% no PIB. O recorde a ser batido em duração são os 11 trimestres entre 1989 e 1992 quando o PIB caiu 7,7%, com uma média de 0,7% por trimestre.

Quando o assunto é intensidade, o adversário são nove trimestres entre 1981 e 1983, quando a queda acumulada foi de 8,5%, mas a média por trimestre era 1%, um pouco menor do que os 1,1% registrados hoje.

A previsão de queda do PIB para 2015 fica em 3.6%. De acordo com Azevedo, as previsões para o ano que vem já estão na faixa dos - 2,5%, com uma possível recessão também em 2017. Um cenário otimista (bom, o que passa por otimista hoje) para o pós-impeachment deixaria o número em - 2%, com crescimento zero no ano seguinte.

Como a maioria dos observadores da economia, Azevedo dá a saída do ministro da Fazenda Joaquim Levy como favas contadas, apostando que com isso o governo deverá perder o impeto de corte despesas e apostar em alta de impostos como uma forma de deter o défict. 

“O Levy desistiu de dar murro em ponta de faca. Dilma acha que sabe de economia. A ala desenvolvimentista deve voltar a ganhar espaço”, resumiu Azevedo, lembrando que o primeiro governo Dilma foi marcado por um “Banco Central lacaio da presidência”.

O economista destacou ainda que ganhos competitivos com a desvalorização da moeda podem demorar entre seis meses a um ano e meio para fazerem efeito, dependendo do segmento da economia (hoje a redação do Baguete recebeu uma ligação de uma empresa de pesquisas contratada pelo Ministério do Desenvolvimento para sondar a opinião da imprensa sobre o tema, sinal que ele deve virar parte do discurso governista). 

Ricardo Russowsky, presidente da Federasul, fez uma leitura pessimista da situação política, na qual não transpareceram grandes expectativas em um eventual novo governo do encabeçado pelo atual vice Michel Temer.

Fazendo uma menção ao documento “Uma ponte para o futuro”, no qual o PMDB esboçou suas convicções sobre política econômica, Russowsky foi cético: “Eles disseram o que todo mundo quer ouvir. É discurso para comício. Precisa de muito tempo, coragem e apoio político para emplacar”.