Setor rachou na hora de fazer indicações. Foto: Pexels.

O setor de TI vai rachado nas indicações para a posição de conselheiro no Conselho Nacional de Proteção de Dados e Privacidade (CNPD), órgão consultivo da nova Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão que vai regulamentar a implantação da lei de proteção de dados LGPD.

São duas vagas no conselho destinadas ao setor empresarial, e, até agora, duas indicações, uma feita pela Assespro Nacional, entidade que reúne empresas brasileiras de pequeno e médio porte, e outra pela Brasscom, na qual estão as grandes do Brasil e multinacionais operando no país.

As duas entidades tiveram abordagens opostas. A Assespro indicou o empresário Ítalo Nogueira, que presidiu a entidade no biênio 2019-20, foi conselheiro do Porto Digital e Softex Recife e é investidor em 40 startups.

Já a Brasscom indicou a advogada Ana Paula Bialer, ex-presidente da Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações.

A entidade formou uma frente, que até agora somou o apoio de outras oito organizações, com um espectro diversificado de entidades empresariais e sindicatos: AbraHosting, Abrintel, ADCN, Confederação Nacional de Saúde, ConTIC, FenaInfo, P&D Brasil e Sociedade Brasileira de Computação.

Em troca, a Brasscom se comprometeu a encaminhar as demandas do conselho para a análise das Apoiadores e apresentar seus pareceres e análises no conselho que foram previamente consensuadas com o grupo.

Parece pouco provável que o setor de TI emplaque duas indicações em um conselho com influência na implementação de uma lei que afeta todo tipo de empresas, incluindo algumas com muito mais influência que o setor de TI, como por exemplo, os bancos.

Tendo isso em conta, parece que a favorita para levar a posição é a indicação da Brasscom, que tem sozinha mais cacife político e ainda se preocupou por construir uma frente. 

Em outubro do ano passado, foram indicados os cinco diretores da ANPD, dois quais dois faziam parte de uma lista de quatro candidatos apresentada pela Brasscom ao governo: Miriam Wimmer, diretora de Serviços de Telecomunicações no Ministério das Comunicações e Arthur Sabbat, diretor do Departamento de Segurança da Informação do GSI-PR.