O HOMEM QUE REFEZ A NET

Valim ensina a dar a volta por cima

17/08/2012 11:44

O responsável pelo primeiro lucro líquido da NET, pela liderança da Serasa Experian AL no grupo e hoje presidente da Oi dá o recado.

Francisco Valim, o líder desnecessário. Foto: divulgação.

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Encarar a realidade, definir um plano, estabelecer um time de protagonistas imbuídos de “ disciplina doente” para executá-lo e fazer-se um líder desnecessário.

Estes são os itens básicos para recuperar uma empresa de uma situação extrema, promovendo o chamdo turnaround management, na opinião de Francisco Valim, atual presidente da Oi e um especialista no assunto.

O executivo foi o responsável, por exemplo, por alavancar os negócios da NET em 2003, quando o faturamento era igual à dívida, que equivalia a oito vezes o fluxo de caixa de um ano.

“Eu sou o cara que chega à emprsea quando não tem mais motorista, quando dispensaram os garçons, cortaram o café”, brincou Valim. “Na NET, quando cheguei, o único carro corporativo que havia era uma Passat 98”, comentou em palestra na ADVB-RS nesta quinta-feira, 16.

Para reverter a situação, Valim apostou em um modelo de plano que chamou de probabilístico, baseado em combinações de variáveis que geram probabilidades mínimas para índices diversos, como receita, fluxo de caixa, despesas etc.

“Na NET, quando apresentamos o plano aos envolvidos, mostramos que tínhamos a probabilidade de 98% de gerar fluxo de caixa, e este foi o maior argumento, que gerou confiança”, destacou Valim.

PEGANDO JUNTO
Definido o plano, outro passo importante foi, segundo ele, o engajamento do time.

“Reunimos o time de executivos no Guarujá, com as esposas. E falei para eles e elas sobre a necessidade de disciplina e esforço para revertermos a situação. Depois disso, eu chegava a encontrar esposas que me diziam que até questionavam os maridos quando chegavam em casa muito cedo”, relembrou, descontraído.

ASSUMINDO O CONTROLE
Outra parte fundamental de um projeto de turnaround management.

Para Valim, é preciso definir o foco estratégico, estabelecer uma missão, práticas, objetivos organizacionais e fazer isso acontecer.

“Não dá para ficar apagando fogo o tempo todo. A água dos bombeiros, às vezes, é mais danosa que o incêndio”, analisou. “Definido o plano, defina a equipe de líderes, e os engage trabalhando nele”, completou.

O LÍDER DESNECESSÁRIO
A liderança é importante, segundo Valim, mas também o é a criação deste sentimento em todo o time de seniores.

“Escolha as pessoas certas e certifique-se de que sabem e podem executar o plano. O grande líder tem de tornar-se desnecessário. Se tiver de estar sempre presente para que as coisas funcionem, há algo errado”, comentou.

NÃO ESTAVA LÁ
Quando, em julho passado, a Oi apresentou seu plano de melhorias à Anatel e conseguiu reaver o direito de vender novos chips no país, após ter sido proibida pela agência, ao lado de Claro e TIM, Valim faz questão de salientar que estava de férias.

“Eu estava fora, e o time elaborou o plano sozinho. E qual foi a resposta da Anatel? “Um plano robusto”. E eu não estava lá. Fui desnecessário, e me orgulho disso”, ressaltou.

THE WHO
Estratégia que, segundo o executivo, passa pela valorização do “quem” em detrimento do “quê”.

Um método do qual ele próprio é case.

“Quando saí da faculdade, tinha estudado, me formado, mas o que sabia? Nada. Decidi,então, que iria para a área acadêmica, buscar um mestrado, mas fui atropelado pelo meio corporativo quando a RBS me chamou. Acreditaram que eu tinha potencial e me ensinaram muito. Fui o quem deles, naquele momento”, recordou.

Um "quem" que fez a diferença: Valim ficou no Grupo RBS de 1989 a 2001, estando lá na época da venda para a Telefónica do então portal ZAZ, que adquirido pelos espanhóis se tornou o Terra.

“Participei da avaliação de valor do portal. Foi uma venda que gerou caixa para o grupo, o que é fundamental para qualquer empresa”,recordou.

ESPECIALISTA
A vivência de Valim em turnaround management não pára por aí: ele também participou do plano de reestruturação e posicionamento da Serasa Experian.

Na empresa, o executivo foi CEO para Europa, Oriente Médio, África e América Latina de 2008 a 2011.

“Quando entrei, a operação da América Latina era a terceira da empresa. Hoje, é a primeira unidade nos negócios”, comemorou. “Faz ver como o plano foi bom, porque funciona até hoje”, salientou.

IRONIA
Hoje na Oi, ele enfrenta um novo desafio, frente à pressão e o desafio de atender às exigências de melhorias impostas pela Anatel, mas, acredita, "tudo vai indo bem".

Olhando para trás, o executivo tem o mesmo a dizer.

“Depois de todo aquele processo, de toda a recuperação, hoje o concorrente que mais me preocupa é... A NET! Quanta ironia!", divertiu-se Valim.

DAQUI
Gaúcho, Valim é formado em Administração de Empresas pela UFRGS e especializado em Planejamento Estratégico e Organizações também pela federal gaúcha.

Além disso, tem especialização em Finanças pela FGV-SP e MBA da Marshall School of Business, University of Southern California.

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