Marcelo Lubaszewski.

Marcelo Lubaszewski, ex-presidente do Ceitec, assumiu a direção do Zenit, parque tecnológico da UFRGS.

O novo diretor é o segundo da história do Zenit, que foi fundado em 2011 e desde então era comandado por Flávio Rech Wagner.

Lubaszewski é graduado em Engenharia Elétrica e mestre em Ciência da Computação pela UFRGS, onde é professor desde a década de 90. Entre 2011 e 2016, trabalhou no Ceitec, estatal federal de fabricação de chips sediada em Porto Alegre, onde foi presidente por três anos.

A troca faz parte das alterações na universidade federal gaúcha promovidas pelo novo reitor, Rui Vicente Oppermann, eleito no ano passado para o período 2016-20.

O principal desafio de Lubaszewski será fazer andar a construção do parque tecnológico da universidade, previsto para ser construído em uma área de 15 hectares dentro do chamado campus do Vale da UFRGS, que abriga diversos cursos em um ponto distante da cidade, quase na vizinha Viamão.

O início das obras tem sido sucessivamente atrasado por um labirinto burocrático de licenciamentos, uma vez que a área do parque inclui vegetação e é atravessada por um córrego. 

A regularização está travada na Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (FEPAM), que, para complicar um pouco mais as coisas, acaba de ser extinta como parte do pacote de redução de gastos do governador José Ivo Sartori (PMDB).

“Acredito que até o final desse ano teremos as liberações e poderemos colocar isso na seguinte fase. É uma movimentação positiva para o estado, que atravessa um momento complicado”, afirma Lubaszewski.

O novo presidente do Zenit tem experiência no assunto. No Ceitec, Lubaszewski esteve envolvido em um processo de licenciamento ainda mais complexo, uma vez que a  empresa tem um processo produtivo complexo e lida com alguns gases perigosos.

Uma vez destravado a questão dos licenciamentos, o plano é fazer uma PPP para buscar investidores para bancar a urbanização e construção no local. 

O exemplo a ser seguido é o BHTec, um parque tecnológico ainda maior que o gaúcho, com 60 hectares de área, que recentemente conseguiu publicar um edital e encontrar interessados.

Lubaszewski enfatiza que independentemente da construção do parque tecnológico, o Zenit já está em atuação, articulando as diferentes incubadoras de empresas da UFRGS, as iniciativas de desenvolvimento tecnológico e de empreendedorismo dentro da universidade.

O próprio nome Zenit, adotado no final de 2015 no lugar de Parque Científico e Tecnológico da UFRGS, faz parte desse processo, que visa enfatizar o que já está acontecendo dentro da instituição.

A nova reitoria da UFRGS foi eleita tendo entre suas bandeiras o fomento ao empreendedorismo e à inovação na universidade.

Em setembro do ano passado, Luís Lamb, ex-diretor do Instituto de Informática da UFRGS e um conhecedor do cenário de empresas de tecnologia,  foi nomeado pró-reitor de Pesquisa da universidade federal gaúcha o que deve ajudar.

A UFRGS foi o berço de uma série de empresas importantes do setor de eletroeletrônica gaúcho, como Altus, Digitel e CP, além de manter convênios com multinacionais como Microsoft, HP e Dell.

A construção de um parque tecnológico, no entanto, é um sonho antigo que colocaria a universidade federal em pé de igualdade nesse quesito com instituições privadas como a Unisinos, em São Leopoldo, e a PUC-RS, em Porto Alegre, que formaram seus parques no começo dos anos 2000 e tem hoje iniciativas reconhecidas em âmbito nacional.