Pierre Schurmann, CEO da Nuvini.

A Nuvini, uma companhia cujo modelo de negócio é acumular participações em empresas de software como serviço, acaba de dar os primeiros passos públicos com a compra da Leadlovers, uma startup de automação de marketing digital.

Criada em 2015, a Leadlovers tem 13 mil clientes espalhados por 50 países, e envia mais de meio bilhão de e-mails personalizados por mês, além de gerenciar 30 milhões de leads.

É o terceiro investimento feito pela Nuvini, que no ano passado comprou participação em duas startups somando um faturamento de R$ 20 milhões anuais, mas ainda não abriu os nomes.

A meta é anunciar essas duas e mais outras 12 aquisições até abril e faturar R$ 296 milhões até o final do ano (a cifra exata dá a entender que pelo menos os valores das aquisições já estão fechados).

“Nosso propósito não é interferir nas empresas adquiridas, mas sim apoiá-las com smart money e a experiência de um time de profissionais e mentores de primeira linha", explica o CEO da Nuvini, Pierre Schurmann.

Schurmann é o empreendedor por trás do fundo Bossa Nova, e a Nuvini funciona no sistema consagrado fora do país pela canadense Constellation Software.

O modelo de negócio é adquirir uma participação e dar aos fundadores uma parte do grupo como um todo.

Todas as empresas reduzem custos ao utilizar recursos comuns em áreas como RH, marketing ou mesmo infraestrutura de TI.

"Este modelo incentiva que todos os empreendedores foquem no crescimento de seus negócios, já que, ao terem participação no grupo, quando uma startup alcança boa performance, todos os demais ganham”, destaca Schurmann.

O alvo são negócios com mais de cinco anos de operação, faturamento entre R$ 20 e R$ 50 milhões e atuação nas  áreas de marketing e vendas, produtividade e finanças e controle.

O planejamento até 2025 é realizar 100 aquisições, alcançando R$ 4 bilhões em faturamento e R$ 1 bilhão em Ebitda.

A Constellation já concluiu mais de 400 aquisições de pequenas, médias e grandes empresas de software em mais de 80 mercados verticais desde 1995.

A gigante está presente no Brasil, onde já comprou a Apdata, de soluções de gestão de recursos humanos, além das lawtechs Aurum e Kurier

No caso da Nuvini, o caminho teve algumas complicações até agora. 

A primeira encarnação da empresa foi lançada em dezembro de 2019, sob o nome Keiretsu Software (Keiretsu é um termo japonês para designar um grupo de empresas que operam de forma cooperada). 

A meta anunciada então era comprar participações em entre 40 a 70 startups até o final de 2020, com o objetivo de médio prazo de ter R$ 1 bilhão em faturamento proveniente do seu portfólio de empresas até 2025.

Na época, o público alvo eram empresas com menos de 2 anos em operação que faturassem entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões e ainda não tivessem recebido investimentos de fundos. 

Agora, o nome é novo, a meta de compras é menor, focada em empresas maiores e atuantes em nichos de mercado. A ambição global, por outro lado, também aumentou, com mais compras e quatro vezes mais faturamento.

A Nuvini não deu maiores explicações sobre a mudança de planos (nem mencionou a Keiretsu, na verdade), mas o mais provável é que não seja tão fácil encontrar pequenas empresas de SaaS nas quantidades que a Keiretsu queria encontrar.

De qualquer forma, Schurmann tem credenciais fortes. Ele foi um dos empresários que inauguraram o mercado de internet no Brasil. 

Empreendedor serial, já fundou sete empresas, das quais três são líderes de mercado. Em 1997, foi co-fundador do Zeek!, site de busca adquirido um ano após seu lançamento pela StarMedia, empresa em que assumiu a Diretoria de Novos Negócios. Em seguida, foi co-fundador e vice-presidente da Ideia.com, fundador e CEO da Conectis Experience Marketing, do Experience Club e da Bossa Nova Investimentos.