Máscaras para uso médico impressas utilizando tecnologia da HP. Foto: HP.

A pandemia do coronavírus tem gerado inúmeros desafios ao redor do mundo, com a produção de equipamentos médicos em escala sendo talvez um dos maiores.

Com o aumento da pressão sobre o sistema de saúde, subiu também a busca por máscaras, equipamentos de proteção individual e ventiladores pulmonares, produzidos em grande parte da China.

A escassez dos produtos, agravada pelos problemas na cadeia de suprimentos em nível mundial, está sendo uma ocasião para demonstrar o poder da manufatura aditiva, com impressoras 3D ao redor do mundo sendo usadas para imprimir localmente os artigos que se tornaram impossíveis de trazer de fora.

No final de março, a HP anunciou o início de um trabalho com o ecossistema de usuários da marca para produzir itens como os escudos faciais e máscaras usadas por médicos, além de peças que permitem abrir portas sem usar as mãos e ventiladores simples.

Os modelos para impressão estão disponíveis na página da HP. Já na largada, a iniciativa entregou 1 mil produtos diferentes a partir dos centros de P&D da empresa, localizados em Barcelona, na Espanha e Corvallis, San Diego e Vancouver, nos Estados Unidos.

“A HP e os nossos parceiros de manufatura digital estão trabalhando sem parar na luta contra esse vírus sem precedentes. Estamos identificando quais são as peças em maior demanda, validando os designs e começando a imprimir eles”, afirma Enrique Lores, CEO da HP.

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, órgão regulador do governo que controla o setor médico, já divulgou máscaras feitas por impressão 3D que atendem exigências de uso médico. O Departamento de Saúde já tem uma página com designs aprovados.

O que começou como uma resposta a uma emergência mundial pode ter implicações de longo prazo, na medida em que os benefícios de uma abordagem mais descentralizada e ágil da produção fiquem demonstrado.

“A flexibilidade, característica mais forte da manufatura aditiva, encaixa-se perfeitamente em nossa necessidade de transformação. Em momentos de desconforto, incerteza e adaptação, faz-se necessário ser flexível, adequando-se às novas realidades”, acredita Siegfried Koelln, CEO da SKA, parceira da HP para área de impressão 3D e uma das maiores companhias de soluções para engenharia e manufatura do país.

De acordo com Koelln, a flexibilidade do processo de impressão 3D permite a construção de qualquer geometria, sem a necessidade de equipamentos especiais, ferramentas especiais e fornecedores únicos, de forma quase instantânea.

Assim, é possível pensar o desenvolvimento de soluções a partir da função que elas devem desempenhar e não a partir de seu modo de fabricação, o que é chave em um momento de crise.

Um caso típico são as máscaras de proteção estilo “face shield”, fundamentais para melhorar a segurança dos profissionais da saúde no combate ao COVID-19, disponíveis no site da HP e um dos primeiros itens a serem fabricados em muitas iniciativas do tipo.

“Não é necessária uma ferramenta, injetora, extrusora, molde, ou qualquer tipo de acessório. Os face shields podem ser feitos em uma impressora HP com tecnologia Multi Jet Fusion a partir de um modelo CAD”, resume Vinícius Bloss, engenheiro de aplicações da SKA.

A mesma abordagem pode ser usada para controladores de fluxo para respiradores, acessórios de fixação e acessórios ergonômicos para máscaras, entre outros, em materiais mais leves do que alumínio ou aço, mantendo mesmo assim a robustez.

Tecnologias como a impressão 3D, no entanto, são muito mais do que uma resposta adequada para o problema do coronavírus. 

Para muitos especialistas, a tendência é que a evolução da impressão 3D amplie o uso da tecnologia para muito além dos protótipos e modelos conceituais com os quais as empresas trabalham hoje, para abarcar a construção de peças finais, em escala de produção.

Uma adoção maior de impressão 3D pode trazer a garantia de manutenção de um estoque mínimo de peças de reposição disponível em poucas horas, reduzindo custos com transporte, armazenamento e manutenção das peças, melhorando o fluxo de caixa.

A evolução da tecnologia, um dos pilares da chamada nova revolução industrial, ou Indústria 4.0, se encontrará agora com um novo cenário geopolítico cujos efeitos devem ser sentidos também na indústria brasileira.

Por uma parte, muitas empresas podem tirar como lição a necessidade de serem menos dependentes de uma cadeira de insumos com produção na China. 

O que é uma situação cômoda pode se reverter rapidamente numa fonte de crise, como ficou mostrado com a falta de equipamentos hospitalares, sobretudo de respiradores artificiais.

Muitos analistas apontam que a crise do coronavírus pode trazer uma reconfiguração da manufatura global. Muitos países já tomam as primeiras medidas para reduzir a dependência das importações da China, o que pode trazer uma fase de renascença da manufatura, inclusive no Brasil, que vive há décadas um processo de desindustrialização da economia.

Para informações exclusivas sobre como as soluções HP podem atender às necessidades de mercado acesse um estudo exclusivo. Para conhecer a tecnologia da impressão 3D da HP, acesse a página especial da SKA sobre o tema.