Rogério de Vargas. Foto: Baguete

Com o acordo de locação de ativos firmado com o JBS em maio passado, a gaúcha Doux Frangosul virou a página de um histórico de crise que vinha desde 2008, quando a matriz francesa penou com a crise mundial e começou a derrapar no pagamento a fornecedores, amargando uma dívida que este ano chegou à casa dos R$ 466 milhões.

O arrendamento deu à JBS poder de operação da Frangosul, sem repasse de qualquer pendência, penhora e outros impedimentos, o que deve dar mais fôlego a investimentos, inclusive, na TI.

É o que acredita Rogério Eger de Vargas, gerente de Desenvolvimento de Sitemas da Groupe Doux.

“A TI pode trabalhar mais focada, tudo se tornou muito mais rápido. Se há um projeto, para a gestão o que importa, é: trará benefício? Se sim, vamos fazer”, comentou Vargas durante o Seminário de Gestão de TIC realizado pela Sucesu-RS de 15 a 17 de junho em Bento Gonçalves.

Isso porque agora as decisões não precisam mais ir até a França e voltar: a gestão está aqui, com o JBS, o que faz com que projetos que há anos estão na fila comecem a andar – caso da substituição do WMS, adoção de um roteirizador para a logística e um ERP específico para o ciclo de vida do frango.

A substituição do WMS está em projeto, num momento de análise de solução e fornecedor.

Já o roteirizador vem em roll out da ferramenta já usada pelo JBS em outras operações mundiais.

No sistema de gestão, a empresa vai de Mtech, com uma solução que permite fazer cálculos e análises para programação de produção.

“Por exemplo: se quero ter 100 mil toneladas de carne daqui a tantos anos, o que precisarei usar de ração, quantos ovos por ano terei de alojar... Tudo isso pode ser caldulado com o sistema focado na área de fomento”, destaca Vargas, que comanda 13 dos 20 colaboradores da TI da Doux Frangosul, sediados em Montenegro.

O ERP geral da companhia é o Totvs/Datasul, em uso desde 2007, legado com mainframe.

Conforme Vargas, também estão em andamento trabalhos de down size para eliminar o mainframe.

“Estamos trabalhando nisso há um bom tempo, mas com a nova situação da empresa, sei que será mais rápido”, destaca o gerente.

Passos que seguem mantendo a TI da operação brasileira no foco da Groupe Doux: segundo contou ao Baguete no fim do ano passado o gerente de Infraestrutura e Suporte da companhia, Luciano Lopes, cerca de 80% da tecnologia de infraesutrutura da empresa é ditada pelo Brasil.

O que se pode ver por processos como a virtualização, que por aqui em novembro de 2011 já atingia 90 servidores, com meta de chegar a 100% do parque ainda no primeiro semestre de 2012.

Mainframe, mais de 1 mil estações de trabalho (entre desktops e notebooks), 50 switches de hub, com backbone de 1 mil MB/S, atendendo a 2,9 mil usuários de rede que somam 1,2 mil caixas postais, compõem a infraestrutura da operação nacional da Doux, além de servidores virtuais e 36 máquinas físicas.

GIGANTE
Fundado em 1955, o Groupe Doux atua em aves, produtos à base de carne suína e outros itens processados, com plantas industriais na Europa e no Brasil.

Ao todo, são 17 abatedouros e plataformas de expedição, seis fábricas de embutidos e dez de rações, além de 13 incubatórios.

A operação global soma 14,5 mil colaboradores e mais de 4,3 mil criadores parceiros em todo o mundo, tendo fechado 2009 com volume de negócios de€ 1,309 bilhão e Ebitda de € 104,3 milhões.

O Groupe Doux está presente em mais de 125 países.

No Brasil, opera desde 1998, quando adquiriu a Frangosul.
Hoje, só no país a empresa tem unidades fabris, incubatórios e abatedouros no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

No estado do Sul, além da sede em Montenegro, onde também fica a fábrica de produtos processados, a companhia tem unidades em Caxias do Sul, Carapó, Salvador do Sul, Passo Fundo, Nova Bassano, Ipê e Vacaria.

Gláucia Civa cobriu o Seminário Gestão de TIC da Sucesu-RS, em Bento Gonçalves, a convite da Sucesu-RS.