Empresa liga rebanhos bovinos à IoT. Foto: divulgação.

A Vital Herd é uma startup americana que quer colocar o rebanho bovino do mundo na Internet nas Coisas, no que é uma proposição esquisita, é verdade, mas talvez muito mais poderosa em termos econômicos do que os baladados termoestatos da Nest, por exemplo.

O funcionamento do produto da companhia, cuja expectativa de lançamento é até o final do ano, é relativamente simples.

As vacas engolem uma pílula com sensores capazes de captar algumas informações vitais sobre a saúde do animal, incluindo a temperatura, PH, batimentos cardíacos e, no futuro, a composição química do conteúdo do estômago.

A ideia é que, de posse das informações em tempo real, os fazendeiros possam identificar os animais doentes antes, evitando perdas.

“Hoje o método se baseia em observar indícios no comportamento dos animais, basicamente o mesmo método da era dos caubóis”, resume Brian Walsh, CEO da Vital Herd, cuja sede fica em Austin, Texas estado que é coração do mito dos vaqueiros americanos.

O empreendedor esteve apresentando o case da companhia durante o PTC Live, que encerra nesta terça-feira, 17, em Boston, nos Estados Unidos.

A empresa está desenvolvendo a aplicação com tecnologia da ThingWorx, plataforma de desenvolvimento de aplicações de Internet das Coisas comprada pela PTC no final do ano passado por US$ 112 milhões e o centro da estratégia da gigante de CAD e PLM para IoT.

Até agora, a Vital Herd é só uma ideia que recebeu um investimento privado de valor não revelado e espera captar um aporte de série A [algo que pode girar entre US$ 2 milhões e US$ 15 milhões].

O público potencial para a novidade, no entanto, é enorme. O rebanho mundial de gado encerrou o ano de 2012 com um total de pouco mais de 1,3 bilhão de cabeças de gado.

O segundo maior rabanho é o brasileiro, com 253 milhões de vacas brasileiras, somente atrás das indianas, que disfrutam de status sagrado e somam 391 milhão.

Dados da Vital Herd apontam que anualmente 8% do rebanho morre. Além de uma diminuição de perdas, mais informação sobre a saúde animal levaria a uma alimentação otimizada.

Quem sabe algo de vacas sabe que elas podem pastar muito. De acordo com Walsh, uma queda de 1% nos gastos com alimentação poderia levar a um incremento de 60% na lucratividade.

* Maurício Renner viajou ao PTC Live em Boston a convite da PTC.