Tik Tok é a rede social do momento, em todos os sentidos. Foto: https://www.flickr.com/photos/solen-feyissa/

A Oracle está interessada em comprar a operação em alguns países do Tik Tok, rede social de vídeos fundada na China que está no centro de uma polêmica geopolítica.

A movimentação, no mínimo surpreendente, foi revelada pelo Financial Times, que revelou que a Oracle já teve uma conversa preliminar com a ByteDance, dona do Tik Tok, assim como fundos de investimento como General Atlantic e Sequoia Capital.

Segundo o Financial Times, a Oracle está “considerando seriamente”, comprar as operações nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Junto com o Reino Unido, os quatro países formam uma comunidade de compartilhamento de informações conhecida como Five Eyes.

Na sexta-feira, 14, o presidente americano, Donald Trump, publicou um decreto ordenando a ByteDance a vender a sua operação americana em 90 dias, alegando preocupações com espionagem chinesa.

O Tik Tok é a rede social em alta no momento, com 2,3 bilhões de downloads e um valor de mercado estimado entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões.

Trump alega que o governo chinês pode pressionar a companhia para espionar usuários e censurar conteúdo. 

O caso faz parte de uma guerra comercial entre os dois países que tinha até agora a Huawei e o 5G no centro das atenções. 

O negócio é complicado, em aspectos técnicos, financeiros e legais. Até agora, só a Microsoft tinha aparecido publicamente como uma potencial interessada.

No começo de agosto, antes mesmo do decreto de Trump, a Microsoft comunicou oficialmente que estava em conversas para comprar o TikTok nos mesmos países que a Oracle está interessada.

Não está claro como é possível separar os dados desses países de outros nos quais o Tik Tok está presente.

Dias depois, o Financial Times revelou que a empresa estava considerando comprar toda a operação da Tik Tok. A Microsoft falou em negociar até o dia 15 de setembro.

Não se trata de um negócio simples. O fundador da Microsoft, Bill Gates, manifestou reservas sobre a aquisição em uma entrevista com a Wired, dizendo que ser um grande player em mídia social não é simples e que todo o contexto do negócio com a interferência de Trump é "bizarro".

Analistas de mercado favoráveis à compra apontam os potenciais ganhos da integração da tecnologia da Tik Tok, que é bastante sofisticada, podendo beneficiar aplicações voltadas para o usuário final como o buscador Bing ou o assistente pessoal Cortina.

A compra também tornaria a Microsoft um potencial competidor para o Facebook. 

Vale lembrar que a Microsoft já comprou o Linkedin em 2016 por US$ 26,2 bilhões, ainda que seja difícil imaginar duas redes sociais mais diferentes que o LinkedIn e o Tik Tok.

Já no caso da Oracle, uma empresa que atua basicamente no segmento corporativo, está muito menos claro quais são os benefícios de uma compra desse tamanho.

A Oracle tem no entanto a seu favor uma maior proximidade com Trump.

O fundador da empresa, Larry Ellisson, é um dos poucos apoiadores abertos do presidente americano no Vale do Silício. A CEO, Safra Catz, chegou a trabalhar no time de transição da administração Trump.

Se isso faz alguma diferença, não está tão claro. No ano passado, a Oracle brigou e brigou pelo contrato de computação em nuvem, que acabou inicialmente nas mãos da AWS, cujo dono Jeff Bezos é tido como um detrator de Trump, para depois, em uma reviravolta, cair no colo da Microsoft.