Cássio Bobsin.

A Zenvia, uma das empresas de mobilidade mais bem sucedidas do país, decidiu entrar no mercado de chatbots, com o lançamento de um produto para criação dos robôs, uma das tendências em alta no momento.

A partir de tecnologia de processamento de linguagem natural da IBM e Google, a empresa desenvolveu a plataforma Zenvia Conversational Cloud.

Com o novo produto, em desenvolvimento desde o início do ano, a Zenvia não vai competir bot a bot no mercado. A ideia é se posicionar como um fornecedor de tecnologia para clientes, parceiros, desenvolvedores e integradores.

Além de mensagens de texto por aplicativos de mensageria, como a maioria dos chatbots, o produto da Zenvia tem também a possibilidade de interagir por SMS, voz, Facebook, chat, e-mail e push. 

A novidade já está em uso dentro de um cliente de grande porte cujo nome não é aberto pela Zenvia. 

Agora a empresa está expandindo a oferta, ainda contrato a contrato, e no futuro a ideia é colocar o produto online, com diferentes faixas de preço segundo casos de uso.

“Queremos que o cliente seja capaz levantar um chatbot em poucas horas”, resume o CEO da Zenvia, Cassio Bobsin.

O Zenvia Conversational Cloud já vem com alguns templates de “conversas” típicas de uma série de processos de negócios de empresas dos ramos cobrança, varejo, de financeiras e seguradoras e saúde.

É justamente no conhecimento das empresas a nível de processos que deve ajudar a Zenvia a criar uma plataforma para criação de bots.

Com 14 anos de mercado, a Zenvia tem hoje 5 mil clientes. A empresa iniciou no mercado de sistemas baseados em SMS, mercado que passou a liderar em nível nacional em 2011, com a aquisição da concorrente paulista Comunika.

Nos anos seguintes, com a tecnologia de SMS sofrendo assédio de novas formas de comunicação por dispositivos móveis, a Zenvia embalou com novas aquisições da Purebros, focada em soluções de carrier billing; da Zynk, distribuidora de conteúdos para smartphones e por fim, no início de 2015, a área de Serviço de Valor Agregado (VAS) da Spring Mobile Solutions.

A compra da Spring foi o negócio mais relevante, colocando a empresa com uma presença forte em São Paulo (hoje, dos 220 colaboradores 70 estão na capital paulista e o restante em Porto Alegre).

O negócio foi embalado com recursos dos R$ 71 milhões do BNDESPar e do fundo de investimentos DLM captados um ano antes.

Para a nova empreitada a Zenvia não fez compras, mas fez uma contratação importante: Daniel Wildt assumiu como diretor de Tecnologia, vindo da uMov.me, uma companhia sediada em Porto Alegre que está desenvolvimento um sistema para criação de aplicativos móveis, no qual operam os mesmos conceitos de escala que a Zenvia quer ver no seu novo produto.

A Zenvia está entrando em um mercado aquecido. 

De acordo com um levantamento do Mobile Time, o conta hoje com pelo menos 56 empresas que desenvolvem chatbots. 

Juntas, as companhias já produziram cerca de 8 mil bots que trafegam aproximadamente 500 milhões de mensagens por mês.

É apenas um pequeno pedaço do que o mercado pode ser, quando temos em conta a penetração de redes sociais como o Facebook e serviços de mensageria como o WhatsApp no país.

Para crescer, o  mercado vai precisar de ferramentas que permitam ganhar escala.

De acordo com o estudo, 45% dos desenvolvedores de bots no Brasil são de pequeno porte, com no máximo 10 robôs publicados.

Outras 39% empresas são de porte médio, com entre 11 e 100 bots construídos. Apenas quatro empresas (7% da base), podem ser consideradas grandes, com centenas de bots lançados. 

Com o novo produto, a Zenvia pode ter uma nova fonte de crescimento. No ano passado, a receita líquida da empresa foi de R$ 230 milhões, uma alta de 24,4% frente ao ano anterior.