Eládio Isoppo e Ricardo Fritsche, fundadores da Picface. Foto: divulgação.

A Payface, startup de pagamentos por reconhecimento facial, acaba de captar R$ 3 milhões em rodada seed liderada pela empresa BRQ Digital Solutions, o fundo Next A&M e a aceleradora Darwin Startups.

Também participaram grupos apoiados pela Harvard Angels e Nikkey Empreendedores do Brasil (NEB), além de investidores individuais, como Conrado Engel, ex-presidente do HSBC no Brasil.

A Payface foi fundada em 2018, em Florianópolis, por Eládio Isoppo e Ricardo Fritsche, que já haviam empreendido antes em outras startups.

Em 2012, Isoppo participou da fundação da Aquarela, startup de Big Data, e, em 2014, criou o H2App, aplicativo para compra de galões de água sem sair de casa. Este último foi vendido para os acionistas de uma indústria de água mineral do sul do país. 

Já Fritsche havia cofundado a Meritt em 2009, edtech que tem o objetivo de usar a inteligência no uso de dados para melhorar o processo de ensino e aprendizado dos alunos.

Com tecnologia própria de reconhecimento facial, a Payface já realizou mais de 100 mil transações em pouco mais de um ano de atuação em pequenos comércios de Florianópolis.

No segundo semestre deste ano, a empresa irá estrear em uma unidade da rede supermercadista Angeloni na região central da capital catarinense.

A ferramenta conecta por biometria facial o rosto de cada usuário com os mais diferentes meios de pagamento utilizados pelos varejistas, como cartões de crédito, private labels, wallets, adquirentes, subadquirentes e gateways de pagamento. 

Para utilizar o programa, o usuário baixa o aplicativo da Payface ou do estabelecimento no seu celular e cadastra o rosto. 

No momento em que for a um local parceiro da empresa, o consumidor se posiciona em frente a um dispositivo móvel instalado junto ao caixa e faz a sua identificação com o rosto, sem precisar usar o celular. 

Com a identificação validada pelo sistema, o atendente confirma o valor e finaliza a compra com a autorização do cliente. O uso de senha para confirmar a operação é facultativo, a depender do volume financeiro transacionado.

Os estabelecimentos também podem integrar a tecnologia com seus programas de fidelidade e sistemas de relacionamento com o cliente.

Aproveitando o contexto atual da Covid-19, a empresa está adaptando a tecnologia para permitir que o reconhecimento facial seja feito até com o uso de máscaras de proteção e que todo o procedimento possa ser feito sem o toque no dispositivo localizado no comércio, evitando a exposição ao vírus.

“As primeiras trocas com os investidores aconteceram antes de a crise do coronavírus chegar ao Brasil, mas mesmo enfrentando a pandemia conseguimos manter nossas negociações. Tivemos conversas com investidores até maio”, conta Eládio Isoppo, cofundador e CEO da Payface.

A startup, que já havia recebido R$ 400 mil da Darwin Startups em 2019, planeja utilizar o novo investimento para expandir sua operação junto a varejistas e iniciar novas contratações.

“A Payface surge em um momento em que o segmento de meios de pagamentos precisa cada vez mais investir em propostas inovadoras de relacionamento com os seus usuários. Grandes varejistas e os adquirentes precisam estar atentos a este movimento que a startup deve liderar nos próximos anos", aposta Roberto Medeiros, ex-CEO da Rede e um dos investidores em conjunto com ex-alunos de Harvard.

Reconhecimento facial (ou biometria facial, como preferem alguns) é uma tendência em alta no Brasil.

Um dos mercados mais quentes é o de bancos e fintechs, que usam o reconhecimento do rosto como uma forma de evitar fraudes.

No ano passado, Itaú, Banco Pan, Nubank, SulAmérica, Gol, Viajanet e outros anunciaram projetos na área, muitas vezes sem abrir quem é o fornecedor.

Mas há alguns players se destacando no mercado. Um deles é a FullFace, uma das startups líderes nesse segmento.

Em setembro de 2018, quando recebeu um aporte de R$ 5 milhões de um fundo, a FullFace divulgou uma lista de clientes que incluía o Itaú, além de Gol, Serasa e Motorola.

Outro é a Acesso Digital, que fechou um acordo com SPC, também em 2018, possibilitando a captação de grandes volumes de rostos. Com o contrato, o SPC pode oferecer a tecnologia para os seus clientes com o nome SPC Reconhecimento Facial.