Microsoft era apontada como a favorita para levar. Foto: Pixabay.

O Ministério do Planejamento suspendeu uma licitação para contratação de serviços de computação na nuvem para diversos órgãos da administração pública federal, a primeira iniciativa do gênero em Brasília.

O pregão estava marcado para a quinta-feira, 18, e foi suspenso na quarta-feira, 17. Não foi informado se a compra será retomada.

O valor estimado da contratação era de R$ 71,4 milhões, considerando a adesão de 11 órgãos, mas outros poderiam aderir à ata de registro de preço posteriormente, tornando a disputa ainda mais importante.

A licitação vinha sendo discutida desde o começo de 2013 e marcaria uma virada estratégica em termos de infraestrutura para o governo federal. 

O objeto da licitação suspensa era a contratação de empresa especializada (integrador) para prestação de serviços de computação em nuvem, sob demanda. 

O serviço incluiria o desenvolvimento, manutenção e gestão de topologias de aplicações de nuvem e a disponibilização continuada de recursos de Infraestrutura como Serviço (IaaS) e Plataforma como Serviço (PaaS) em nuvem pública.

Em 2016, o Ministério do Planejamento orientou os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendado a contratação de computação em nuvem.

Foi uma reversão de curso  em mais de uma década de estratégia (posta em prática com diferentes graus de convicção) dos governos petistas em relação a tecnologia.

Ainda em 2012, o Serpro, estatal federal de processamento de dados, investiu R$ 40 milhões em duplicar seu data center de Brasília, e anunciou outros R$ 180 milhões para a construção de um novo centro em São Paulo.

O conceito era que o Serpro deveria ser o provedor de computação em nuvem para o governo, como uma prolongação da estratégia de desenvolvimento interno  de tecnologia baseada em software livre visando a “independência tecnológica” frente aos grandes fornecedores multinacionais de TI.

O Ministério do Planejamento justificou a decisão de migrar para fornecedores privados pela padronização tecnológica e a redução de custos por compra em escala.

Inicialmente, também estava prevista a contratação de dois provedores diferentes evita o “aprisionamento a um fornecedor” e garante a continuidade em caso de falhas.

Em maio de 2018, no entanto, foi divulgado um novo termo de referência para o projeto, no qual se abandona a ideia de adotar múltiplas nuvens orquestradas, colocando fichas em um só fornecedor.

De acordo com o Convergência Digital, que cobre de perto as movimentações em Brasília, essa nuvem será a Azure, da Microsoft. 

Ainda segundo site, o novo termo foi comunicado em uma reunião em maio no Ministério do Planejamento por técnicos da Secretaria de Tecnologia da Informação, sofrendo duras críticas dos presentes, que viram suas chances de ganhar diminuídas.

Só o representante da Microsoft teria ficado quieto.

Já desde final do governo Dilma Rousseff, a multinacional vem nadando de braçada no governo federal, fechando grandes contratos em órgãos como a Caixa Econômica Federal e a Controladoria Geral da União, que também estão revertendo seus investimentos em software livre.

Com o adiamento do edital menos de duas semanas antes da eleição, o projeto de contratação de serviços na nuvem provavelmente ficará para o próximo governo.