Nos primeiros nove meses de 2019, a Marcopolo teve receita líquida de R$ 3,121 bilhões. Foto: divulgação.

A Marcopolo, fabricante brasileira de carrocerias de ônibus, lançou um e-commerce para vender sua linha de componentes genuínos de reposição, assim como peças originais de diferentes marcas de chassis.

Batizada de Marcopolo Parts, a plataforma desenvolvida pela CWS conecta o usuário à loja parceira mais próxima através da ferramenta de geolocalização.

Na consulta, o cliente pode visualizar peças que servem para todo portfólio, apresentadas com imagens individuais, código de identificação, nome, tipo de veículo e aplicação, lojas com estoque disponível, além do preço da peça e do frete estimado.

Após a compra, o prazo de entrega dos produtos é de um a três dias, dependendo da região e da peça solicitada.

Entre os componentes vendidos on-line, estão produtos das três marcas da companhia, que são Marcopolo, Neobus e Volare, além de outras empresas de chassis de ônibus, como Mercedes, Volvo, que possuam produtos Marcopolo encarroçados nesses chassis.

Segundo a empresa, o pós-venda começou a se tornar uma área importante na empresa em 2018.

Hoje a Marcopolo atua com o estoque de peças em quatro filiais, nos estados de Paraná, São Paulo Santa Catarina e Minas gerais. 

Com a plataforma, serão cerca de 60 diferentes tipos de players integrados no Brasil inteiro.

Para a marca Volare, a empresa trabalha com concessionários com uma operação parecida com as de marcas e carros. Já quando se fala das marcas Marcopolo e Neobus, a empresa tem representações e filiais.

De acordo com a Marcopolo, a diferença maior deste mercado B2B é que, ao invés da empresa cliente ir até concessionária resolver uma questão, como normalmente as pessoas físicas fazem com carros, as empresas fazem o contato por telefone e quem leva o ônibus no local é algum de seus motoristas.

Neste caso, a compra por e-commerce facilitaria esse processo com o autoatendimento.

Até o final de março, a Marcopolo Parts deve receber atualizações, permitindo que o cliente final visualize os estoques integrados de todos esses dealers, com o preço público sugerido, entre outras funcionalidades.

Neste período, a ideia é que a plataforma também tenha a funcionalidade de selecionar a opção de serviço para a instalação daquele item.

Como a Marcopolo utiliza o sistema de gestão da SAP, a sua integração com a nuvem da CWS foi realizada pela equipe interna de TI da empresa.

O projeto contemplou as integrações com todas as interfaces que foram criadas, incluindo  consulta de estoque, atualização de preço, criação de cadastro de cliente e a integração  dos pedidos com o sistema de gestão.

Já os dealers têm 15 ERPs diferentes e o próximo passo, parte obrigatória do projeto, é que essas empresas tenham o Apollo, software de administração de concessionárias da Linx. 

A medida deve otimizar a gestão, tanto na integração e nas interfaces quanto na parte de entendimento de estoque do revendedor.

Segundo a empresa, a integração dos ERPs diferentes dentro da plataforma vai permitir um melhor entendimento da demanda, de acordo com o que cliente está pesquisando. 

Desta forma, será possível identificar se uma peça está tendo alta demanda de reposição e identificar problemas, por exemplo, ou entender a demanda regional, redistribuindo os produtos de acordo com a necessidade maior em cada estado.

“É um novo momento da Marcopolo, a empresa tá muito dedicada a fazer isso acontecer. Nós temos que ter nosso cliente cada vez mais perto da marca, então vamos fazer de tudo para que as tratativas aconteçam e para que a gente tenha sucesso em conjunto”, afirma Vinicius Paulo de Souza, analista de e-commerce da Marcopolo.

Em um momento de expansão e diversos investimentos em tecnologia, a Marcopolo deve seguir focando neste projeto, que envolve diversas áreas da empresa, ao longo de 2020 e 2021.

Sobre o crescimento comercial, a empresa diz que projeta milhões de transações na plataforma, mas não revela números exatos.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), a indústria brasileira de ônibus fechou 2019 com crescimento de 10,8%, com mais de 22,8 mil unidades produzidas. A Marcopolo foi a líder, responsável por quase 50% desse volume. 

Nos primeiros nove meses de 2019, a Marcopolo teve receita líquida de R$ 3,121 bilhões, com crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

Fundada há sete anos, a CWS já levantou R$ 39 milhões em investimento e tem mais de 100 colaboradores trabalhando juntos em São Paulo e nas cidades paranaenses de Londrina e Curitiba.

Além da Marcopolo, tem clientes como Cofap, Ipiranga, JS Peças, Rodobens e Saint-Gobain.