Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil. Foto: Divulgação.

A compra da Qualtrics, especializada em soluções de pesquisa de opinião e análise e experiência de usuário (customer experience), pela SAP, vai incrementar todo o portfólio de soluções da companhia alemã. No Brasil, no entanto, o anúncio tem tudo para se alinhar com uma investida recente da SAP: o C/4 Hana.

“O Qualtrics se alinha muito bem com o C/4 em pelo menos três frentes que o sistema atende: consumidor, produto e marca. Será um grande ponto focal para esta oferta sim”, afirma Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil.

Segundo a executiva, o Qualtrics pode ser tornar, inclusive, uma porta de entrada para que muitas companhias passem a adotar soluções da SAP, abrindo o caminho para outras implementações relacionadas, como Hybris (e-commerce), Callidus (gestão de vendas), Gigya (análise de perfil de consumidor) e outros.

Para isso, a empresa começará a investir em breve o trabalho com canais para a venda do novo produto. De acordo com Palmaka, assim com o C/4 Hana, este espaço não consistirá apenas de parceiros de tecnologia.

“Aliás, o único integrador de Qualtrics que temos até o momento não é uma empresa de TI. É uma consultoria de marketing. Isso é algo novo para a SAP, mas que poderá abrir oportunidades”, avalia.

A SAP já conduz três projetos pilotos do Qualtrics junto a seus clientes no Brasil. Somente o nome de uma empresa – a própria SAP – foi revelado. Entretanto, Palmaka revela que as outras empresas são um banco e uma grande varejista.

Palmaka não deu números sobre a evolução do C/4 Hana, sistema revelado pela SAP no ano passado e lançado no Brasil no final de 2018, mas apontou que a plataforma está despertando interesse não apenas das empresas que lidam com o consumidor final, mas também de companhias do segmento B2B.

“No caso do mercado que o C/4 Hana endereça, estamos lidando com um volume global de negócios que movimenta bem superior ao mercado de ERP. No Brasil, não é diferente. É um passo extremamente estratégico para a SAP, e aos poucos as empresas estão vendo os benefícios de ter uma suíte CRM, especialmente para quem já usa nosso ERP”, destaca.

A estimativa de Palmaka confere com levantamentos como o da Markets & Markets, que avalia o mercado global de ERP em aproximadamente US$ 24,5 bilhões. Enquanto isso, segundo dados da SuperOffice, a movimentação financeira com de soluções de CRM passa de US$ 40 bilhões.

O mercado de CRM, que tem a Salesforce como líder absoluta, é um grande alvo de gigantes de tecnologia atualmente.

No ano passado, Bill McDermott, CEO da SAP, prometeu inclusive desbancar a Salesforce do seu posto de número um no mercado de software para relacionamento com clientes.

Segundo ele, a Salesforce não tem um sistema de gestão próprio e precisa “inventar uma metodologia” para conectar dados do ERP com CRM, algo que a SAP pode fazer nativamente.

A Oracle também está nessa briga. Rob Tarkoff, VP Executivo para Oracle Customer Experience, também aposta na abrangência do portfólio como arma para o crescimento da empresa nessa disputa..

“Nossa grande vantagem tem relação com dados e uma experiência completa sobre o cliente. A Oracle provou várias vezes que é a melhor do mundo nisso, então é isso que dá a mim e às minhas equipes confiança de dizer para a companhia seguir investindo no segmento, porque achamos que há um grande caminho pela frente”, finalizou.

A luta, no entanto, não será fácil para SAP e Oracle. 

De acordo com a IDC, a Salesforce ficou com uma fatia de 16,8% do mercado de CRM em 2018. A Oracle foi a distante segunda colocada, com 5,7% da receita do mercado, colada na SAP (com 5,6%). Adobe (3,5%) e Microsoft (3,4%) fecham o ranking das cinco maiores.

*Leandro Souza viajou a Orlando para o SapphireNow a convite da SAP.