Antiga caldeira reformada será o coração do Instituto Caldeira. Foto: divulgação.

O Instituto Caldeira, uma das iniciativas mais badaladas no ecossistema de inovação gaúcho no últimos anos, está começando uma existência digital enquanto as obras em Porto Alegre não ficam prontas.

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A novidade é uma plataforma na qual empresas de todos os portes e segmentos poderem inscrever suas demandas e startups cadastrar suas soluções.

“Nós antecipamos a entrega da plataforma para que o propósito do Caldeira se materialize independentemente de estarmos próximos fisicamente, afinal, a transformação digital se tornou ainda mais relevante no atual contexto das organizações”, comenta Pedro Valério, diretor executivo do Instituto.

A nota do Caldeira não chega a entrar em detalhes, mas o fato é que as obras do espaço físico, dentro do Shopping DC Navegantes parecem estar atrasadas.

Na fundação oficial do projeto, em agosto de 2019, a previsão era que o local estaria pronto no primeiro semestre de 2020.

De acordo com a divulgação do Caldeira a obra da sede “segue em execução” devendo ter a sua primeira etapa, que compreende o Espaço Caldeira, finalizada em agosto. 

Em um primeiro momento o local estará focado na produção de lives, webinars e projetos de “natureza phydigital”, com um estúdio e infra para transmissão de eventos online.

A vinda dos laboratórios de inovação das empresas e das startups ficou para o final do ano.

O Caldeira não esclareceu os motivos desse atraso, que provavelmente tem que ver com a pandemia do coronavírus, que parece estar se aproximando do seu pico no Rio Grande do Sul, com rumores constantes sobre a adoção de um “lockdown” em Porto Alegre.

O cenário torna um pouco difícil colocar em prática a meta de ter 3 mil pessoas trabalhando no local, em projetos que demandam muita interação pessoal.

Atrasos à parte (a assinatura da fundação também demorou mais do que o inicialmente anunciado), o Instituto Caldeira tem tudo para ser um sucesso.

Os 40 fundadores do Caldeira incluem a nata empresarial gaúcha, representada por nomes como Jorge Gerdau Johannpeter, famílias Renner, Ling, Goldzstein e Herrmann, além de empresas tradicionais como Renner, Sicredi, Panvel, Vulcabras Azaleia, Banrisul, RBS, Randon, e da nova economia, como Agibank, 4all, Nelogica, Banco Topázio, SafeWeb, Zenvia, Meta e StartSe.

O instituto tem um conceito chamativo, com a reforma de uma  grande caldeira, com 30 metros de pé direito, que, em 1920, produzia energia para as indústrias do grupo AJ Renner, em frente à área onde hoje está instalado o Shopping DC Navegantes. 

A fábrica fechada, assim como o Shopping DC Navegantes, pertence à família Renner. O centro comercial nunca emplacou para valer e partiu da família a ideia de promover uma virada no local.

Os planos do Caldeira são parte de um movimento muito maior na cidade, visando transformar a região do chamado Quarto Distrito, no qual se localiza o empreendimento. 

O Quarto Distrito é uma área de 800 hectares distribuídos em um retângulo entre a rodoviária e a avenida Sertório, limitada nas suas extremidades pela avenida Farrapos e a linha do Trensurb.

A área está em decadência desde os anos 70, quando a base econômica de Porto Alegre começou a se voltar para serviços e a indústria abandonou a cidade em busca de espaços mais baratos na região metropolitana e além.

Hoje a região abriga muitos grandes galpões industriais abandonados, além de áreas problemáticas de baixo meretrício e tráfico de drogas.

Os planos de revitalização da área são antigos (talvez só não mais antigos do que os relacionados ao Cais do Porto da capital), mas foram reanimados como uma das prioridades do Pacto Alegre, um movimento liderado por Unisinos, PUC-RS e UFRGS visando transformar a capital num polo de inovação.

Por meio da iniciativa das universidades, que são as maiores do Rio Grande do Sul, Agibank, RBS e Sicredi (todos envolvidos no Caldeira) ajudaram a bancar a contratação de consultor espanhol Josep Piqué para ser a cara pública da iniciativa do Pacto.

Piqué, até recentemente Presidente da Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação (IASP), é um especialista quando o assunto é sacudir cidades por meio de projetos desse tipo.

Ele foi um idealizadores do Barcelona @22, um projeto de revitalização de uma área industrial dentro da cidade espanhola não muito diferente da região onde ficará o Instituto Caldeira, o que o tornou uma autoridade mundialmente reconhecida no assunto.