Asus está apostando alto no Zenfone 2. Foto: divulgação.

Pouco menos de um ano após entrar no mercado brasileiro de smartphones com sua linha Zenfone, a Asus Brasil não poupou esforços para causar o maior impacto possível no lançamento de sua segunda geração de telefones, puxada pelo Zenfone 2, assim como uma estratégia agressiva de marketing e de preços.

Antes de tudo uma explicação: a empresa redefiniu a nomenclatura de sua família de telefones. Até então, a companhia taiwanesa lançou no país os Zenfones 5 e 6, numeração baseada no tamanho das telas de cada modelo. A opção por usar o "2" tem a ver com a intenção da companhia em estabelecer linhas específicas para cada geração do Zenfone.

Além do já esperado Zenfone 2 - cuja avaliação você pode conferir mais abaixo neste texto - a empresa anunciou três novos aparelhos em paralelo ao seu carro-chefe:  o mais acessível Zenfone 2 Laser, o Zenfone 2 Selfie e o Zenfone 2 Deluxe.

O Zenfone 2 Laser chega com configurações mais modestas que o Zenfone 2 (processador quad-core Snapdragon 410 de 1,2 GHz, 2 GB de memória RAM e 16 GB de storage), atingindo as lojas com um preço de R$ 899, competindo de frente com best-sellers intermediários como o Moto G, da Motorola.

Já o Zenfone 2 Selfie fica numa zona intermediária entre o Laser e o 2, chegando à faixa de preço do R$ 1.299, competindo com o Moto X e o LG G3, com especificações respeitáveis: tela 5,5", foco automático laser, processador 64-bit octa-core Qualcomm Snapdragon 615 e 32MB de armazenamento. O destaque é a câmera frontal de 13 megapixels, mesma configuração que a traseira.

Por fim, o Zenfone 2 Deluxe tem basicamente as mesmas especificações que o Zenfone 2 normal, porém vem turbinado com um design diferenciado e 128GB de armazenamento interno, expansível via micro SD. A empresa anunciou também uma versão limitada do modelo Deluxe, com absurdos 256GB de memória. O modelo Deluxe chega em setembro por R$ 1.999. Já o valor da edição limitada não foi divulgado.

Para Marcel Campos, country manager da Asus Brasil, a empresa fez questão de causar uma grande impressão para marcar a nova linha de produtos, aproveitando o bom momento que a empresa conquistou com a primeira família Zenfone, lançada no segundo semestre de 2014.

"Queremos deixar para trás a impressão que somos uma marca com pouca variedade de modelos e de acessórios", afirmou o executivo, mostrando que o lançamento abrange também outros produtos como capas inteligentes, periféricos para flash e o carregador externo ZenPower.

De acordo com o CEO mundial da Asus, Jerry Shen, o Brasil representou um ponto especial de crescimento dos smartphones da empresa, acumulando mais de 800 mil aparelhos vendidos desde o lançamento do Zenfone 5 no ano passado. Levando em consideração que cerca de 55 milhões de celulares foram vendidos no país no ano passado, pode-se dizer que é uma marca considerável.

"O Brasil nos recebeu de braços abertos quando resolvemos apostar em nosso primeiro Zenfone, e estamos retribuindo o carinho ao fazer estes lançamentos especiais no país", afirmou o CEO.

A empresa não deu números de aparelhos que estarão à venda para os consumidores, nem a expectativa de vendas, mas a fabricante contará com produção local da linha, enquadrando os smartphones na Lei do Bem, contribuindo para baixar os preços.

Além disso, a companhia continuará com seu modelo de vendas diretas via site da marca, uma estratégia também usada pela asiática Xiaomi, que chegou recentemente ao país com o aparelho Redmi2. A empresa também ampliou sua rede de canais de vendas, anunciando novas parcerias com varejistas nacionais para oferecer os novos aparelhos.

E É BOM?

A reportagem do Baguete teve a oportunidade de experimentar em primeira mão o Zenfone 2. Confiante no poder e potencial do produto, a empresa enviou unidades do telefone à dezenas de jornalistas em todo o país.

O principal aspecto do Zenfone é evidente: se trata de um produto de potência em processamento. Carregado por um chip Intel Atom 2,3Ghz com 4GB de memória RAM, o usuário precisa fazer esforços para abalar a performance do produto.

Abrimos vários aplicativos pesados ao mesmo tempo, como editor de fotos, jogos, suíte de documentos, streaming de música, entre diversos outros apps em plano de fundo, e todos rodaram com facilidade no Zenfone, com pouco ou nenhum indício de engasgo no desempenho.

Para quem usa suítes gráficas móveis ou gosta de jogar no celular, o Zenfone 2 cumpre sua função com folgas, rivalizando até com aparelhos muito acima de sua faixa de preço, como o iPhone 6 e o Samsung Galaxy S6. Para quem usa o aparelho para atividades mais simples do dia a dia, provavelmente nem arranharão a superfície do potencial do aparelho.

Todo esse poder de processamento tem um custo, que é onde o produto mostra seus pontos negativos. A bateria do celular, mesmo contando com razoáveis 3000 mAh, não suporta bem o consumo do chip da Intel, que perde em economia para concorrentes como o Snapdragon, da Qualcomm.

Vale lembrar que o Zenfone 2 é uma das principais apostas da Intel para começar a bombar no mercado de smartphones, um segmento onde a fabricante de chips demorou para entrar.

A câmera do aparelho cumpre bem o seu papel, com boa qualidade e nitidez em diferentes distâncias. Durante o evento de lançamento, testamos a câmera para tirar fotos de slides de apresentação em um telão e a câmera não decepcionou. Como nem tudo são flores, a lente do celular poderia ter uma sensibilidade maior para contraste de cores, que perde em comparação para outros aparelhos da mesma faixa.

Na parte de design, se o aparelho não é exatamente uma maravilha, ele compensa no que interessa, que é na sua funcionalidade. Mesmo sendo um aparelho grande , ele encaixa bem na mão, com um acabamento traseiro imitando alumínio escovado. Com resolução Full HD, a tela de 5,5 LED IPS polegadas em vidro Gorilla Glass 4 é clara e nítida - convenhamos, ninguém de fato precisa de resolução 4K em um telefone celular.

Na parte de usabilidade, o Zenfone 2 traz recursos interessantes como uma interface de uso própria em cima do Android 5.0 Lollipop, que pode ser customizada pelo usuário. Ou você pode facilmente colocar o Launcher original do Android e retornar a uma interface mais familiar e mais econômica de consumo de memória - o que nós fizemos.

Uma menção especial vai para o ZenMotion, tecnologia em que o usuário pode, a partir de comandos de toque na tela, desbloquear o telefone diretamente para o app de sua escolha.

Agora, o preço: com o modelo de 16GB de armazenamento por R$ 1.299 e o de 32GB por 1.499, a Asus colocou um armamento pesado na mesa, se firmando como uma marca a ser respeitada na faixa dos R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, onde nomes como LG e Motorola ainda detém a preferência de muitos compradores.

Em entrevista exclusiva ao Baguete no início deste ano, Campos deixou claro que o plano da Asus em 2015 era o de aproveitar o bom momento deixado pelas vendas do Zenfone 5. Parece que, para a companhia asiática, chegou a hora de colocar o pé no acelerador. Resta saber se o consumidor vai embarcar junto nessa.