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BRASIL

Câmara: registro de visita é uma bagunça

Maurício Renner
// quinta, 20/09/2018 08:29

O sistema de controle de visitantes da Câmara de Deputados em Brasília é no mínimo problemático. 

Ele esteve na Câmara ou não? Foto: PMMG.

É a conclusão que alguém da área de TI pode tirar a partir de um incidente noticiado pela imprensa nesta quarta-feira, 19, quando veio a público que Adélio Bispo de Oliveira, acusado de esfaquear o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), teria visitado a Câmara no dia 6 de setembro, mesmo dia no qual foi preso em Juiz de Fora, onde o crime foi cometido.

Um ofício da Polícia Legislativa, obtido pelo site O Antagonista, informa a existência de dois registros de entrada de Oliveira neste dia.

A primeira interpretação da Polícia Legislativa é que se tratava de um registro forjado.

Para O Antagonista, isso significaria que alguém com acesso ao sistema poderia ter tentado criar um álibi para Adélio, caso ele conseguisse escapar.

Mais tarde, o diretor da Polícia Legislativa da Câmara, Paul Pierre Deeter, disse à Folha que um recepcionista registrou “por engano” a entrada de Oliveira na Câmara.

Deeter afirmou que o funcionário, que não teve o nome divulgado, foi consultar no sistema eventual entrada de Bispo na Câmara, quatro horas após o esfaqueamento, e por engano registrou a entrada.

"O Adélio já estava preso nesse momento em Minas. Foi apenas um erro do recepcionista, que foi ouvido, mas não houve má fé ou qualquer outra situação que estão falando por aí”, afirmou o diretor. A investigação será arquivada.

O que poderia ser aberto é uma investigação sobre a qualidade do sistema, que permite, primeiro, que um operador tenha acesso a todos os registros de entrada, e, segundo, que seria confuso a ponto de um usuário poder criar uma entrada nova enquanto faz essa pesquisa sem se dar conta.

Eventualmente, quem acessa o prédio da Câmara se torna um assunto sério e seria bom ter registros confiáveis.

Maurício Renner