IBM se livra de unidade de chips. Foto: Foto: DW labs Incorporated / Shutterstock.com

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A IBM anunciou neste domingo, 19, um acordo com a californiana GlobalFoundries para passar adiante uma de suas unidades de produção de chips. A Big Blue pagará US$ 1,5 bilhão à GlobalFoundries para que ela assuma o controle da fábrica.

Segundo informação da Bloomberg, a IBM pagará a quantia ao longo de três anos. Ao controlar a fábrica de chips, a GlobalFoundries será a fornecedora exclusiva de processadores Power para a Big Blour nos próximos dez anos, em troca de poder utilizar as propriedades intelectuais da IBM.

Sediada em Santa Clara, a Globalfoundries tem investidores do governo árabe, que tem interesse no negócio para aproximar seus técnicos em TI de tecnologias de ponta no mercado de semicondutores. Tecnologias como as da IBM.

De acordo com Tom Rosamilia, VP senior de sistemas de tecnologia, afirmou no blog da companhia que o acordo é mais um passo no processo de "reinvenção" da empresa.

“A IBM sempre teve uma visão abrangente de sua estratégia de negócios, sempre se reinventando", afirmou o executivo.

As fábricas em que a Globalfoundries vai assumir controle são as de East Fishkill, em Nova York, e Essex Junction, em Vermont. A empresa disse que absorverá todos os funcionários da IBM, à parte daqueles que ficarão na Big Blue.

A divisão acumulava perdas nos balanços trimestrais da companhia nos últimos anos. Somente no primeiro semestre de 2014, os prejuízos já eram de US$ 400 milhões, mais da metade dos US$ 700 milhões perdidos em 2013.

Além disso, a manufatura de microeletrônicos não era das mais rentáveis, respondendo por menos de 2% da receita total da companhia. É pouco frente à competidores asiáticos e rivais norte-americanas como Intel.

Com o acordo de dez anos, a empresa se livra dos custos de manutenção da unidade, mas não perde a exclusividade de suas tecnologias proprietária, mantendo o fornecimento exclusivo de chips para seus produtos como mainframes e processadores Watson, por exemplo.

Entretanto, mesmo com a venda a IBM não deve deixar de investir em pesquisa e desenvolvimento para novos chips. Segundo fontes ligadas à companhia, a companhia planeja investir mais de US$ 3 bilhões em inovação em semicondutores durante os próximos três anos.

Em 2013, em uma carta para os acionistas, a presidente-executiva da empresa, Virginia Rometty sinalizou uma possível saída do mercado de processadores.

Ela avisou que isso não siginifcaria a saída do mercado de hardware, já que a IBM se manteria no mercado de servidores de larga escala e mainframes e foco em computação na nuvem, além de análise de dados e pesquisa e desenvolvimento.

Nós últimos anos, a IBM vendeu seus negócios de computadores pessoais, servidores para área empresarial, impressoras e discos de leitura. No entanto, a companhia tem visto que desenvolvimento de chips e licenciamento de tecnologia pode ser lucrativo, sem construi-los, como faz a Qualcomm com os processadores para celulares.