Presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Foto: Divulgação.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para ser o ministro da Fazenda do segundo mandato, em substituição a Guido Mantega, segundo o Valor Econômico

De acordo com o jornal, Dilma teria se reunido na terça-feira, 18, com Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, que é quem tem o poder de afastar obstáculos à continuidade da carreira de Trabuco no banco caso ele aceite o convite e decida, depois, retomar o seu posto.

No entanto, com uma vida toda dedicada ao Bradesco, Trabuco é o candidato natural à presidência do conselho em substituição a Lázaro Brandão. 

Essa é uma das razões pelas quais amigos próximos ao presidente do Bradesco têm dúvidas sobre se ele aceitou ou aceitará o convite, segundo o Valor. 

Uma alta fonte disse ao jornal, porém, que "estão enrolando o Trabuco na bandeira nacional", referindo-se ao apelo patriótico a que ele estaria sendo envolvido.

Além de Trabuco, a presidente teria também convidado Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central, a permanecer no cargo. Contudo, teria estipulado a ele uma importante missão: conduzir a inflação para a meta de 4,5% até 2016.

Segundo o jornal, ainda não há manifestações oficiais sobre o tema e autoridades do governo revelaram que o país será informado sobre o próximo ministro da Fazenda apenas quando toda a nova equipe econômica estiver definida. 

Para o Valor, a definição de um nome para o Ministério da Fazenda teria que preencher a condição de ser um sinal de Dilma aos mercados de que seu novo governo dará alguns passos em direção à ortodoxia, abandonando o experimentalismo na gestão macroeconômica e recolocando a política fiscal nos trilhos. 

Trabuco seria para o governo Dilma Rousseff como Henrique Meirelles foi para Lula, que assumiu o comando do Banco Central em 2003, em um momento de grande tensão e foi a garantia de racionalidade nas decisões econômicas e de uma convivência mais amigável com os mercados.

Meirelles, inclusive, era apontado como o possível sucessor de Mantega.

A Reuters divulgou na semana passada que fontes próximas ao governo colocavam o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como o favorito na corrida para a vaga.

Meirelles é amplamente respeitado nos mercados e foi um dos arquitetos das políticas pragmáticas adotadas quando foi presidente do BC entre 2003 e 2010, período que aliou crescimento econômico mais robusto com inflação baixa e fortes programas antipobreza.

Segundo a Reuters, várias vezes ele entrou em conflito com Dilma, que favorece uma postura mais intervencionista e tomou várias decisões econômicas sozinhas desde que assumiu o governo em 2011.