Totem na recepção do hospital funciona como um controle de acesso. Foto: divulgação.

A Santa Casa de Misericórdia de Itajubá, no sul de Minas Gerais, adotou o aplicativo KeyApp, desenvolvido pela startup carioca CyberLabs, para utilizar a inteligência artificial na gestão de risco contra a Covid-19.

Instalada em um totem na recepção do hospital, a ferramenta, que é equipada com um módulo para essa finalidade, funciona como um controle de acesso capaz de monitorar a entrada, saída e circulação de pessoas. 

Para utilizá-la, o usuário baixa um aplicativo gratuito na AppStore ou Google Play e preenche seus dados. 

Com o ingresso na Santa Casa realizado por reconhecimento facial, sem nenhum contato físico, o totem faz a aferição da temperatura dos funcionários e visitantes e, caso o resultado fique acima de 37,5ºC, o usuário tem a entrada restrita no hospital.

O acesso à instituição também está condicionado ao preenchimento, dentro do próprio aplicativo, de um formulário de auto avaliação sintomática criado pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa junto com a CyberLabs.

Nele, estão perguntas que buscam identificar se o usuário apresentou sintomas de contaminação nas últimas horas, se manteve contato com suspeitos ou se esteve no mesmo ambiente com alguém que tenha sido contaminado. 

Assim, a solução monitora todos os cerca de 250 funcionários que convivem no local e consegue calcular a probabilidade de cada um estar contaminado antes mesmo de um diagnóstico médico ou da realização do teste.

Todas os dados gerados pela IA são acompanhadas pela diretoria do hospital, que tem acesso às respostas dos funcionários e ao score de cada um através de um dashboard disponibilizado pela CyberLabs.

Os colaboradores também recebem, via SMS, uma avaliação de seu risco de contágio em tempo real. Se o score for baixo, o funcionário pode trabalhar normalmente e, se o número for alto e representar risco, ele é orientado a ir para casa e ficar em isolamento.

Com as medidas preventivas tomadas pelo hospital, 18 médicos e enfermeiros já foram temporariamente afastados após o alerta da tecnologia.

Para a instituição, automatizar o procedimento ajudou a criar uma barreira de segurança mais confiável para o hospital, que antes dependia do bom senso de cada colaborador e visitante para reportar os sintomas.

“O KeyApp também protege a intimidade de cada um, já que apenas a administração tem acesso às informações”, afirma Tamara Divino, supervisora da qualidade da Santa Casa de Misericórdia de Itajubá.

Além da instituição mineira, outras entidades públicas já receberam a solução, como o Centro de Operações Rio (COR) e algumas subestações da Furnas Centrais Elétricas, ambas do Rio de Janeiro.

“É a primeira vez que instalamos a solução em um hospital, além de ser nosso primeiro cliente em Minas Gerais. A tecnologia é uma importante aliada do combate à doença”, ressalta Felipe Vignoli, sócio-fundador da CyberLabs.

Em breve, a Santa Casa também contará com outra aplicação do KeyApp, na qual o visitante poderá avaliar o ambiente, dando notas de 1 a 10 para a experiência no hospital. Com as respostas, a equipe poderá tomar ações para aumentar a satisfação do público. 

A Santa Casa de Misericórdia de Itajubá foi fundada em 1897 e tem capacidade para 103 leitos de internação, 20 na Unidade de Tratamento Intensivo e quatro salas cirúrgicas, além de pronto atendimento, setor de endoscopia e urodinâmica, centro de hemodiálise, laboratório de análises clínicas e centro de diagnóstico por imagem. 

Fundada em 2017 e com sede no Rio de Janeiro, a CyberLabs desenvolve e implanta MLaaS e software de visão computacional, aplicativos móveis e soluções de tecnologia para empresas e agências governamentais. Além do Key App, empresa é criadora da plataforma InSight Now e do CyberLabs Training Center. 

Com IA originalmente criada para as Olimpíadas do Rio, suas plataformas de visão computacional atuam em mais de 3 mil câmeras espalhadas pelo Brasil, com mais de 200 milhões de pessoas contabilizadas nos últimos 12 meses.

Em agosto deste ano, a empresa recebeu um aporte de R$ 28 milhões da Redpoint eventures.