O que a folha de pagamento baiana tem? Foto: flickr.com/photos/agecombahia/

O governo baiano começou a rodar o sistema de gestão de RH da SAP para administrar 3 mil funcionários públicos em em oito empresas públicas e sociedades de economia mista da Bahia.

O go live foi feito em janeiro com consultoria da Resource, parceira SAP que venceu a concorrência para implantação do software de HCM ainda em dezembro de 2013, em parceria com a Prodeb, estatal estadual de processamento de dados. 

A implantação ficou um pouco atrasada (o prazo inicial era janeiro de 2015) e ainda envolve uma parcela pequena (menos de 1%) dos 247 mil empregados públicos da Bahia. Essa primeira fase custou R$ 38 milhões.

Uma segunda onda de implantação será desenvolvida em 2017. Até o final do projeto, serão incluídos servidores ativos e inativos de 63 unidades do estado, entre secretarias, autarquias, fundações, agências, empresas públicas e sociedades de economia mista de 417 municípios do estado.

Chamado de RH Bahia, o projeto que pretende eliminar o uso do papel em mais de 90% dos processos de Recursos Humanos. A estimativa é uma economia de R$ 4,5 milhões só com essa mudança.

“O RH Bahia vai promover uma mudança profunda e irreversível na gestão de recursos humanos do Estado”, destaca o superintendente de RH da Bahia, Adriano Tambone. 

O SAP HCM atendeu integralmente a mais de 200 requisitos funcionais exigidos pelo governo baiano. O processamento da folha representa 50% das verbas de custeio do pagamento dos funcionários.

Os funcionários poderão consultar documentos como contracheques e informes de rendimentos e também, por exemplo, programar virtualmente as próprias férias ou solicitar a inclusão de um dependente no plano de saúde. 

Além disso, no futuro, a migração para o sistema de informações relativas a 33 anos de movimentação pessoal no estado, já coletadas do Diário Oficial do Estado, vai contribuir para agilizar os processos de aposentadoria, que devem ser concedidas em até 15 dias ao invés dos 90 atuais.

As oito organizações contempladas na primeira onda de implantação do projeto são Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), Bahiapesca, Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Companhia de Engenharia Hídrica e Saneamento da Bahia (CERB), Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), Companhia de Transportes da Bahia (CTB) e Empresa Gráfica da Bahia (Egba). 

O contrato fechado pela Resource é uma vitória importante da SAP na sua estratégia de incrementar a participação com vendas para o setor público brasileiro e ainda mais em um momento em que o governo federal sinaliza com uma maior abertura para software proprietário.

Vale lembrar que a Bahia era administrada na época do contrato e segue sendo agora pelo PT, um partido que, pelo menos em nível federal, sempre defendeu uma política de fomento ao uso de software open source na administração pública.

O governo baiano é um case pioneiro de software de folha, um tipo de solução tratada como uma commodity entre empresas privadas há tempos. Com o conhecimento adquirido nesse projeto, a SAP e a Resource podem buscar outros contratos.

A estratégia da SAP para a sua oferta de governo é trabalhar com soluções focadas em necessidades específicas, como processamento de folha, software analítico, portais e aplicativos de mobilidade para serviços ao cidadão.

A multinacional já tem alguns cases, como o governo do Rio de Janeiro, que usa o software de business intelligence Business Objects para interpretar dados sobre a criminalidade e projeta em breve oferecer alguns serviços à população por meio de smartphones. 

Em São Paulo, a Secretaria da Fazenda usa soluções da SAP para processar dados financeiros.