REAÇÃO

Arezzo vira case na crise com tecnologia

21/04/2020 14:35

Companhia acelerou muito as vendas online dobrando o volume de vendas em dois meses.

Alexandre Birman, CEO do grupo Arezzo & Co.

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A Arezzo dobrou as suas vendas online desde o começo da crise do coronavírus, atingindo uma cifra que hoje já representaria 25% do faturamento da gigante de calçados em tempos normais, com as lojas abertas.

A companhia bateu o recorde de vendas na Internet na quinta-feira, 16, quando foram vendidos R$ 2,3 milhões, um pouco mais de 10% acima dos R$ 2 milhões da Black Friday de 2019, tradicionalmente o melhor dia do e-commerce para a maioria das empresas.

Em entrevista para o site Neofeed, Alexandre Birman, CEO do grupo Arezzo & Co, abriu vários detalhes de como a companhia colocou a estratégia digital em prática.

Uma das chaves foi um aplicativo, pelo qual os vendedores podiam acessar o estoque do e-commerce, cujo número de usuários aumentou de 100 para 5 mil pessoas em duas semanas.

“Perguntei para o CIO quanto tempo levaria para migrar 5 mil vendedores para a ferramenta. Ele me respondeu que levaria dois meses. Disse para ele que precisava em duas semanas. E conseguimos”, revela Birman.

Os funcionários recebem códigos pessoais para vender os produtos usando suas próprias contas de mídia social e ganham uma comissão de 20% sobre as vendas, disse Birman em videoconferência com analistas.

O CIO da Arezzo é Rodrigo Ribeiro, um profissional contratado em abril do ano passado vindo da fintech Agibank. O executivo tem passagens pelas áreas de TI do Boticário, Itaú e Lojas Renner.

Birman não chegou a entrar em detalhes técnicos sobre as ferramenta usadas na Arezzo, mas é sabido que a companhia foi um cliente pioneiro na América Latina do Hybris, solução de comércio eletrônico B2B e B2C da SAP.

O projeto foi revelado em novembro de 2013 pelo Baguete. Em 2015, surgiu a informação que a implementação estava sendo tocada pela Keyrus, multinacional francesa que afirma ser a parceira número 1 da SAP para Hybris no país.

Os analistas de bancos como o Itaú BBA aprovaram tem recomendado a compra de ações da Arezzo. O percentual de 12% de vendas por e-commerce de antes da crise do coronavírus já era o maior percentual entre as companhias de varejo sob cobertura da corretora, revela o Money Times.

“Nós vemos esse processo como algo muito importante para o curto prazo, pois pode reduzir parcialmente o impacto negativo das vendas e do inventário das cadeias de lojas do grupo”, disse o Itaú BBA. “No longo prazo, acreditamos que essa tendência fortalecerá a posição de liderança da Arezzo”, completa.

Sendo realista, porém, o case de sucesso da Arezzo está tão ou mais baseado em na intuição da gestão para antecipação de cenários e preparação a nível financeiro do que no uso intensivo de tecnologia.

Na entrevista ao NeoFeed, Birman revela que foi seu pai e fundador do grupo, Anderson Birman, que soou o alarme, ainda no dia 6 de março, quando pediu ao filho para se preparar "para uma crise jamais vista".

Birman não atuou sobre o conselho até o dia 10, quando um italiano contaminado com o coronavírus participou da Fimec, tradicional feira de calçados realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Já no dia 13, os franqueados foram avisados da chance de terem as lojas fechadas, o que foi imposto pelo governo a partir do dia 18. O time foi colocado em home office em dois dias, também antes de quarentena.

A empresa  que faturou R$ 2,03 bilhões no ano passado, também obteve linhas de crédito no valor de R$ 450 milhões, somados a um caixa já existente de R$ 250 milhões.

"Estamos prevendo que as lojas ficarão fechadas até o final de julho. É aquela frase, ‘espere o pior, mas torça para que ele não aconteça.’ Estamos nos preparando para o pior", resume Birman.

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