A Oi protocolou um pedido de recuperação judicial na tarde de segunda-feira, 20. Foto: Divulgação.

A Oi protocolou um pedido de recuperação judicial na tarde de segunda-feira, 20, no Tribunal de Justiça do Rio.

Esse é o maior processo de recuperação judicial do Brasil, pois a Oi levou à justiça R$ 65,4 bilhões em compromissos para serem debatidos e reestruturados em juízo. Desse valor, mais de R$ 51 bilhões são de dívidas financeiras, com bancos e investidores de mercado de papéis de dívida emitidos no Brasil e fora, segundo o Valor.

O movimento acontece após a companhia anunciar, na sexta-feira, o fracasso nas negociações privadas com os credores internacionais, que possuem R$ 31,6 bilhões da dívida. A empresa estava negociando com um grupo organizado detentor de 30% da dívida internacional. 

"Considerando os desafios decorrentes da situação econômico-financeira das empresas Oi à luz do cronograma de vencimento de suas dívidas financeiras, ameaças ao caixa das empresas Oi representadas por iminentes penhoras ou bloqueios em processos judiciais, e tendo em vista a urgência na adoção de medidas de proteção das empresas Oi, a companhia julgou que a apresentação do pedido de recuperação judicial seria a medida mais adequada,  neste momento", afirma a operadora, em comunicado.

Para o Valor, o maior desafio da tele é adequar os compromissos financeiros à sua geração de caixa. A empresa admite que, além de tudo que pode gerar de caixa com a operação, queimaria mais R$ 7 bilhões para honrar o pagamento de juros de dívida - sem considerar o vencimento de principal

A Oi ocupa 34,4% do mercado de telefonia fixa do país, com 14,9 milhões de linhas de telefone em operação. Com isso, a empresa é a maior prestadora do Brasil por tamanho de infraestrutura. 

A base de clientes de telefonia móvel da operadora estava em 47,8 milhões de usuários em março. A Oi fornece 5,7 milhões de acessos à internet banda larga, cerca de 1,2 milhão de assinaturas de TV e 2 milhões de pontos wi-fi. No setor corporativo, a companhia tem 2,2 milhões de clientes.

Em 2008, a Oi entrou no mercado com a compra da Brasil Telecom pela Telemar. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou a Lei Geral de Telecomunicações para permitir o negócio, com financiamento do BNDES. A justificativa era de que o país precisava de uma grande empresa nacional de telefonia.

Cerca de cinco anos depois, foi anunciada a pretendida fusão com a Portugal Telecom, que criaria uma grande companhia listada no Novo Mercado. O movimento não foi concluído. Em 2014, o Grupo Espírito Santo (GES), principal acionista da tele portuguesa, quebrou e levou quase € 1 bilhão em aplicações financeiras que já estavam com a Oi. 

Assim, a união gerou quase R$ 30 bilhões em novas dívidas para a operadora do Brasil, sendo R$ 25 bilhões de compromissos da Portugal Telecom e mais R$ 4,5 bilhões dos controladores brasileiros.

No pedido de recuperação protocolado no Rio de Janeiro, a companhia declara possuir uma receita bruta anual de R$ 40 bilhões e líquida de R$ 27 bilhões.